23 abril 2017

Não há democracia que sobreviva à tirania do judiciário



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Paulo Pimenta

O Brasil hoje gira em torno das chamadas "delações premiadas" deflagradas no âmbito da operação Lava Jato. Especialmente o depoimento de Marcelo Odebrecht chocou o país por mostrar a articulação de décadas entre empresas e políticos que agiram de forma criminosa e se beneficiaram mutuamente de recursos públicos para formar fortunas, muitas delas depositadas em contas no exterior.

Porém, o que mais chocou nesse depoimento não foi exatamente o fato de se descobrir que há corrupção, e sim a forma descarada, debochada, acobertada com que o diretor de uma das maiores empresas do país revelou em rede nacional que a construtora criou um departamento de propina e institucionalizou um esquema de compra de pareceres com uma espécie de "advocacy" que mais que defender seus interesses patrocinava vantagens e se aproximava de pessoas a fim de obter benefícios.

Pelo que tudo indica desvelou-se uma história de golpes bilionários que teve como escudo o financiamento privado de campanhas eleitorais, desvirtuado para servir aos interesses de indivíduos e grupos poderosos. É evidente a relação enraizada entre a construtora e os políticos do PMDB e do PSDB, que a mídia se esforça para acobertar, e a amplitude desse esquema, o qual parece impossível de se realizar sem a omissão deliberada, também, de setores do judiciário.

Os depoimentos poderiam ser vistos como positivos se a operação comandada pelo juiz Sérgio Moro confirmasse a intencionalidade de combater a corrupção e fizesse essa investigação de forma séria, isenta e guiada por objetivos públicos, não partidários. A farsa da Lava a Jato é tamanha que, enquanto as investigações estão em curso, as dependências da Polícia Federal, seus agentes e equipamentos são colocados à disposição de um filme que tem por finalidade promover a operação e cujos financiadores são mantidos em sigilo.

É nítida a ausência de compromisso com os fundamentos republicanos e democráticos, como a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana e o pluralismo político em todo esse processo. O que tem caracterizado a "Lava a Jato" é o populismo e o comportamento autoritário do juiz Sérgio Moro que desrespeita os direitos e faz a incitação ao ódio.

Isso se observou na condução coercitiva do ex-presidente Lula, no vazamento seletivo e ilegal de depoimentos e também na manipulação de delatores com vistas a proteger o presidente ilegítimo Michel Temer e outras figuras, especialmente do PSDB, ou forjar provas contra o PT a qualquer custo.

Todos sabem que os depoimentos de delatores exigem cautela e que a legislação requer a confirmação com provas, no entanto, a imprensa tradicional, principalmente a Rede Globo, tratou corruptores como heróis e tornou as peças da investigação um show midiático. A fórmula encontrada para maquiar as informações foi ungir a fala dos chefes da construtora com o dom da verdade e criar generalizações sobre tudo que disseram.

A Globo cria o estereótipo de que todos os políticos são iguais, oculta quem de fato beneficia e é beneficiado por essas e outras empresas. Ao mesmo tempo, esse noticiário perversos mantém ileso o governo ilegítimo que está atolado em corrupção, incluindo o próprio Michel Temer, que acelera a votação de medidas que liberam as terceirizações e retiram os direitos previdenciários e trabalhistas.

A falsidade da notícia é algo gravíssimo. Um crime contra a democracia. A Rede Globo é parte desse golpe e sua estratégia de tratar como iguais a quem recebeu doações legais de campanha, quem recebeu recursos de caixa dois e quem recebeu propina e se favoreceu de fraudes serve apenas para enfraquecer a política e minar a possibilidade do país reestabelecer a democracia. Da mesma forma, as práticas de setores do Ministério Público e da Polícia Federal são não apenas controversas, mas absolutamente comprometedoras.

Não há democracia que sobreviva à tirania de um judiciário que se empenha em arrancar delações contra um líder político como Lula pelo fato dele representar um projeto de esquerda no país, para tentar calar a sua voz e impedir que seja eleito, uma vez que detém 45% das intenções de voto, segundo as últimas pesquisas.

O teor do comando da "Lava a Jato" se revelou fascista e mostrou que não busca punir quem fraudou contratos públicos, exigir a devolução integral dos recursos ilegais ou fechar empresas que formam quadrilha para operar a corrupção. Estão mais interessados em "caçar as bruxas", e com apoio da mídia, irão repor o selo da honestidade em empresários corruptos, que serão "presos" em suas mansões e depois vão trocar a fachada de suas construtoras para seguir operando.

Na lógica em que se desenrola do golpe no país, contando com a conivência de grandes empresas, da imprensa tradicional e do judiciário, os partidos de direita cujos velhos líderes foram pegos em corrupção comprovada vão se reinventar com outros nomes tidos como "não políticos" para atender aos interesses do capital que precisa deles e exige que façam a chamada "modernização". Enquanto isso os partidos de esquerda terão que lutar para não terminar criminalizados pelo abuso de poder que se instaurou e que ganha espaço quando se consegue intimidar os investigados, torturar e destruir suas trajetórias.

Eugenio Aragão, ex-ministro da Justiça, sintetiza esse mal quando diz que "o mal da tortura é que não oferece provas sólidas da verdade, mas apenas provas sólidas da (in)capacidade de resistência do torturado", lembrando que a tortura que não é apenas física, do pau de arara, do choque elétrico, mas também é psicológica.

Tem ficado evidente que esses depoimentos passam por uma combinação prévia sobre o que interessa ser dito na deleção e para estabelecer a garantia de medidas especiais de proteção aos delatores, assegurando-lhes uma "nova vida", sem máculas, em algum paraíso, de preferência um paraíso fiscal.

É preciso estar atento, o golpe não chegou com militares dando tiros dentro de um tanque de guerra. As estratégias do golpe iniciado em 2016 no Brasil são mais subjetivas e de difícil percepção.

Contudo alguns líderes de esquerda estão presos, alguns serão injustamente punidos, a ameaça de jorrar sangue é eminente sempre que a população se organiza e usa o direito legítimo de se manifestar. A derrubada da Presidenta Dilma era apenas o início do golpe, e não seu fim, que, entre outros, prossegue com a retirada de direitos e o uso político do sistema de justiça. Mas, não podemos calar e submetermo-nos ao regime de força que vem se desenhando, o golpe ainda está em curso no Brasil e nós precisamos detê-lo.


Postado em Brasil 247 em 22/04/2017



22 abril 2017

Glúten : o alimento das obsessões?



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As obsessões são um tipo de pensamento de caráter negativo, geralmente orientadas para o futuro, recorrentes, e que indicam perigo. Todos nós já experimentamos esse tipo de cognição alguma vez na vida, mas a diferença em relação às pessoas que sofrem do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é que elas não condicionaram as nossas vidas.

Nós deixamos esses pensamentos passarem pela nossa mente sem lhes darmos muita importância. Sabemos reconhecer que o cérebro tem a função de emitir ideias, seja em forma de frases, imagens, sensações… e não há por que lhe dar maior transcendência.

As pessoas com TOC, por outro lado, analisam esses pensamentos, concentram-se neles, acreditam neles e, em consequência, se sentem repugnantes e até mesmo más pessoas por ter esses pensamentos.

Elas acreditam erroneamente que o fato de ter esses pensamentos implica que eles são reais, e se pararmos para pensar friamente, uma coisa é o mundo da nossa cabeça e outra muito diferente é o mundo real.

A hipótese clássica vem para nos dizer que a origem deste transtorno é a predisposição genética e biológica para a doença, assim como a história pessoal do indivíduo, desde a infância: educação recebida, personalidade…

O transtorno se manteria graças às compulsões, que não são nada além de atos que podem ser de tipo motor (por exemplo, lavar as mãos vinte vezes por dia) ou cognitivo (repetir a mesma ideia mentalmente durante seis horas). As compulsões neutralizam as obsessões e também a ansiedade que elas geram, para que a pessoa relaxe momentaneamente. Ao mesmo tempo, este alívio momentâneo agirá como um reforço negativo, aumentando as probabilidades de que a compulsão se repita em um futuro ou até mesmo que se generalize.

Os reforços positivos recebidos do ambiente também podem fazer com que o transtorno se mantenha, por isso é essencial não negligenciá-los.

O que isso tem a ver com o glúten?

O que acabamos de comentar é a introdução ao que já conhecemos mais ou menos sobre o transtorno. Recentemente, o Dr. Luis Rodrigo Saez, professor emérito na Universidade de Oviedo, na Espanha, tem se especializado nas manifestações neurológicas da doença celíaca. Lembre-se de que aqueles com a doença celíaca são intolerantes ao glúten, uma proteína contida na farinha de trigo e em alguns cereais.

Este médico foi capaz de comprovar e confirmar como o glúten, por si só, é capaz de inflamar e lesionar algumas zonas do nosso cérebro, dando lugar à aparição de várias doenças neurológicas que vão desde a ataxia, enxaquecas, esclerose múltipla, polineuropatia e epilepsia, até a síndrome de Tourette e o TOC.

A explicação é que o glúten ultrapassa a barreira hematoencefálica, que é como uma muralha que protege o nosso sistema nervoso e é capaz, como já foi mencionado, de inflamar certas estruturas cerebrais.

Não se trata, evidentemente, de colocar toda a culpa no glúten, mas os pesquisadores estão vendo que ele poderia ser uma das causas da origem e da permanência do transtorno obsessivo-compulsivo, assim como a de outras doenças psiquiátricas e neurológicas.

Essas descobertas, que têm sido bastante significativas, abrem um novo caminho de esperança para os pacientes. Uma notícia para explorar e que inicialmente poderia ser desenvolvida com sucesso sem a necessidade de que os pacientes sejam submetidos a um tratamento farmacológico.

Em que consiste o tratamento?

Combinando-o com uma boa psicoterapia, algo que acredito que seja essencial para aprender a quebrar hábitos disfuncionais e mudar pensamentos, o tratamento se basearia em eliminar totalmente o glúten da nossa dieta.

Os supermercados mais conhecidos oferecem há muito tempo produtos sem glúten, por isso o esforço exigido no tratamento é consideravelmente baixo. A farinha de trigo pode ser substituída por farinha de arroz ou de milho, que não contêm a proteína.

A dieta deve ser feita ao longo da vida e de forma estrita; ou seja, não vale deixar de consumir glúten durante a semana e no final de semana exagerar na ingestão de doces feitos com farinha refinada. Assim que tivermos decidido abandonar o glúten, é essencial seguir o tratamento se quisermos nos beneficiar de seus efeitos.

É um orgulho poder ser capaz de apresentar os resultados empíricos de outros profissionais para que, como foi comentado anteriormente, a ciência avance. Mas, acima de tudo, é uma grande notícia que os pacientes possam ter maiores alternativas naturais e com menos efeitos colaterais.

Portanto, se você sofre com qualquer um dos distúrbios que foram mencionados aqui, quero encorajá-lo a seguir as novas descobertas apresentadas neste artigo. Pessoalmente, eu sugiro que você afaste o glúten da sua alimentação e analise os resultados dentro de um ano. Tenho certeza de que irá se surpreender!






21 abril 2017

Mude hoje o seu amanhã

Resultado de imagem para o futuro dependerá daquilo que fazemos no presente


[VÍDEO] Faça um novo projeto para a sua vida


Stephanie Gomes


Tudo o que você é e tem hoje foi projetado por você em algum momento do passado. Logo, se você quer algo novo amanhã, a coisa mais importante que tem a fazer é projetar isso hoje.

Essa é mais uma daquelas coisas simples e óbvias que a gente não faz. Mas eu recebi um sinal bem claro de que estava na hora de fazer um novo projeto para a minha vida, e fiz.

Se você está precisando de um empurrão para fazer um novo projeto que vai te levar às realizações que deseja, assista ao vídeo:






Postado em Desassossegada




20 abril 2017

Cinema é tudo de bom ! 19 filmes sobre Autismo






Os 19 mais lindos filmes sobre o Autismo



Vanelli Doratioto 


As relações que diariamente estabelecemos e vivemos nos convidam a pensar o outro e nós mesmos, especialmente quando o incomum nos toca. A seguir segue uma lista de 19 filmes que falam lindamente sobre personagens, reais ou não, diagnosticados com autismo. Discutindo preconceitos, aprendizados e ensinamentos, as histórias a seguir inspiram o respeito e a compreensão, pontuando de forma delicada como pessoas autistas vivem e enxergam o mundo. Alguns filmes estão disponíveis na Netflix e outros na internet.


1 – Rain Man (1988)


Charlie Babbitt (Tom Cruise) espera receber uma grande herança após a morte de seu pai, mas Raymond (Dustin Hoffman), seu irmão mais velho, internado em uma instituição médica, alguém cuja existência Charlie ignorava até então, é quem recebe toda a fortuna. Raymond é um autista com habilidades mentais seriamente limitadas em algumas áreas, mas com capacidade de gênio em outras. Quando Charlie rapta Raymond, uma longa e maluca viagem atravessando o país, rumo a Los Angeles, ensina aos dois lições sobre a vida. O personagem de Dustin Hoffman foi inspirado em Kim Peek, um americano notável, diagnosticado com Síndrome de Savant.

2 – O enigma das cartas (1993)


Quando o marido de Ruth Matthews (Kathleen Turner) morre, a caçula do casal, Sally (Asha Menina), reage à morte do pai de maneira muito estranha, pois ao voltar para sua casa não profere uma só palavra. Quando o comportamento de Sally piora, Ruth se vê obrigada a deixar que Jacob Beerlander (Tommy Lee Jones), um especialista em crianças autistas, examine sua filha. Jacob tenta tirar Sally da sua desordem mental por métodos tradicionais, mas Ruth tenta de outra maneira, ao reproduzir em grande escala um castelo de cartas que sua filha tinha construído. Por mais estranho que seja, Ruth crê que só assim terá Sally de volta.

3 – Gilbert Grape: aprendiz de um sonhador (1993)


Gilbert Grape (Johnny Depp) é um jovem que, desde a morte do pai, é o responsável por sustentar a família. Sua mãe Bonnie (Darlene Cates) sofre de obesidade mórbida desde que entrou em depressão, após o suicídio do marido, e o seu irmão caçula, Arnie (Leonardo DiCaprio), é autista. A vida em família é repleta de carinho e proteção, apesar das dificuldades enfrentadas. Até que Grape se apaixona por Betty (Mary Steenburgen), uma dona de casa casada. Disponível na Netflix.

4 – Experimentando a vida (1999)


Molly McKay (Elisabeth Shue) é uma mulher autista de 28 anos. Quando jovem ela foi internada, mas com o fechamento da instituição, Buck McKay (Aaron Eckhart), seu irmão, ficou com sua guarda. O irmão não a via desde quando ela era criança e isso faz com que sejam quase estranhos. Quando Buck fica sabendo de uma arriscada cirurgia experimental que pode ajudar Molly, ele dá seu consentimento. A operação é um sucesso e Molly revela desde então um genial intelecto. Mas a sua personalidade autista permanece e Buck constata que a nova Molly vai enfrentar grandes desafios.

5 - Uma lição de amor (2002)


Sam Dawson (Sean Penn) é um homem com autismo que cria sua filha Lucy (Dakota Fanning) com a ajuda de seus amigos. Porém, assim que faz 7 anos, Lucy começa a ultrapassar intelectualmente o pai, e essa situação chama a atenção de uma assistente social que quer internar Lucy em um orfanato. A partir de então Sam enfrenta um caso quase impossível de ser vencido, contando com a ajuda de uma advogada, Rita Harrison (Michelle Pfeiffer), que aceita o seu caso como um desafio.

6 – Meu nome é Radio (2003)


Baseado numa história real, acontecida na Carolina do Sul (EUA), o filme conta a história de Radio (Cuba Gooding Jr.), um jovem autista, que depois de sofrer inúmeros preconceitos, acaba recebendo o apoio do treinador do time de futebol americano da cidade em que vive. (Ed Harris). A amizade e relação de confiança entre os dois modifica não só suas vidas, mas toda a dinâmica do colégio e da comunidade.


7 – Missão Especial ou Uma viagem inesperada (2004)


Baseado em uma história real, Corinne (Mary-Louise Parker) é uma mãe solteira de gêmeos de 5 anos de idade, Steven e Phillip, que são autistas. Corinne fica transtornada ao descobrir que não existe cura ou tratamento efetivo para o autismo. Para não se tornar prisioneira das limitações provocadas pelo transtorno, ela está determinada a propor uma vida normal aos filhos e começa uma jornada em busca de uma nova forma de viver a vida. Ela terá que enfrentar muitos obstáculos para superar preconceitos e mostrar a capacidade de seus filhos ao mundo. Um filme tocante!

8 – Loucos de amor (2005)


Donald Morton (Josh Hartnett) e Isabelle Sorenson (Radha Mitchell) sofrem da síndrome de Asperger. Donald trabalha como motorista de táxi, adora os pássaros e tem uma incomum habilidade em lidar com números. Ele gosta e precisa seguir um padrão em sua vida, para que possa levá-la de forma normal. Entretanto ao conhecer Isabelle, em seu grupo de ajuda, tudo muda em sua vida, pois ele se apaixona por ela. O filme foi inspirado na vida real do casal Jerry Newport e Mary Meinel (agora Mary Newport).

9 – Uma família especial (2005)


Dos sete filhos de Maggi (Helena Bonham Carter), quatro são autistas em maior ou menor grau e os demais apresentam diferentes tipos de transtornos. Determinada, Maggi empreende então uma surpreendente luta, repleta de momentos mágicos, alegres e tristes, para ajudar seus filhos especiais a ter uma vida feliz. Drama baseado na história real de Jacqui Jackson. Hoje Jacqui escreve livros relacionados ao autismo.

10 – Um amigo inesperado (2006)


Kyle Gram é um menino frágil que tem autismo. Seus pais fazem de tudo para tentar se comunicar com ele, até que um cachorro chamado Thomas, consegue criar uma relação com o menino que o ajudará a escapar do seu silêncio.

11 – Um certo olhar (2007)


Alex (Alan Rickman) é um taciturno inglês que está no Canadá para se encontrar com a mãe de seu falecido filho. No caminho ele dá carona para Vivienne (Emily Hampshire), uma jovem carismática que vai visitar a mãe. Na viagem um caminhão atinge o carro, matando Vivienne. Alex sai então à procura da mãe da jovem. Ao encontrá-la, descobre que ela (Sigourney Weaver) é autista. Linda não tem qualquer reação ao saber da tragédia, mas Alex decide ficar com ela até o funeral. “Um Certo Olhar” foi produzido de forma independente e escrito por Angela Pell, cujo filho é autista. No fim das contas esse é um filme que, apesar de tudo, nos faz olhar a vida com otimismo. Destaque para as ótimas atuações.

12 – Sei que vou te amar (2008)


Thomas Mollison é um jovem de 16 anos que quer apenas ter uma vida normal. Seu irmão mais velho, Charlie, tem autismo e o funcionamento de toda a família gira em torno dele. Ao se mudar para uma nova casa e escola, Thomas conhece Jackie Masters e se apaixona por ela. Quando sua mãe fica confinada à cama, devido a uma gravidez, Thomas então deve assumir a responsabilidade de cuidar do seu irmão, o que pode custar a sua relação com Jackie. Thomas embarca então em uma viagem emocional repleta de frustrações e angústias.

13 – Adam (2009)


Adam (Hugh Dancy) é um jovem meigo e simpático, mas com dificuldade de se relacionar com as pessoas. Ele tem Síndrome de Asperger, vive num mundo solitário até que conhece sua nova vizinha Beth (Rose Byrne), uma linda moça simpática e muito atenciosa. O relacionamento dos dois demonstra, acima de tudo, que os dispostos se atraem. Muito delicado esse filme.

14 – Mary e Max: uma amizade diferente (2009)


Essa animação narra a amizade entre Mary Daisy Dinkle, uma garota solitária de 8 anos, que vive em Melbourne, na Austrália; e Max Jerry Horovitz, 44 anos que vive em Nova York. Obeso e também solitário, ele tem a Síndrome de Asperger. Mesmo com tamanha distância e a diferença de idade existente entre eles, Mary e Max desenvolvem uma forte amizade, que transcorre mesmo com os altos e baixos da vida, numa relação que se sustenta através da troca de cartas por 20 anos.

15 – Temple Grandin (2010)


Esse filme é uma cinebiografia da jovem autista Temple Grandin (Claire Danes). Ela tinha uma maneira particular de ver o mundo, o que a fez se distanciar das pessoas, mas isso não a impediu de conseguir, dentre outras coisas, seu doutorado. Com uma percepção de vida totalmente diferenciada, dedicou-se aos animais e revolucionou os métodos de manejo do gado com técnicas que surpreenderam experientes criadores. O filme é uma lição de vida e a atriz Claire Danes está sensacional nele.

16 – My Name is Khan (2010)


O filme retrata a história de um homem com Síndrome de Asperger (Autismo) e sua luta para dizer ao presidente dos Estados Unidos e, consequentemente a todos, que ele não é um terrorista só porque nasceu muçulmano. A inocência de Khan, o personagem principal do filme, e sua determinação, servem de lição a todos nós. Disponível na Netflix.


17 – Tão forte e tão perto (2011)


Oskar Schell (Thomas Horn) é um garoto muito apegado ao pai, Thomas (Tom Hanks), que inventou que Nova York tinha um distrito hoje desaparecido para fazer com que o filho tivesse iniciativa e aprendesse a falar com todo tipo de pessoa. Thomas morre então no 11 de setembro e sua perda é um baque para Oskar e sua mãe, Linda (Sandra Bullock). Um dia, Oskar encontra um envelope onde aparece escrito Black e, dentro dele, uma misteriosa chave. Esse é o início de uma aventura vivida por ele em busca de um sentido para o inexplicável. Apesar de não ser dito abertamente no filme, Oskar provavelmente é portador da Síndrome de Asperger. Disponível na Netflix como “Extremely Loud, Incredibly Close”.


18 – Um elo de amor (2015)


Jimmy (Ian Colletti) é um jovem autista que, às vezes, não compreende tudo o que acontece ao seu redor. Porém, ele possui uma memória fantástica, que, junto de sua ingenuidade, acaba deixando-o comumente em apuros. Seu avô (Ted Levine) e sua madrasta (Kelly Carlson) incentivam o garoto a superar os traumas, entretanto, ele fica aflito ao se deparar com seus medos.

19 – Farol das Orcas (2016)


Baseado em fatos reais o roteiro de “Farol das Orcas” fala de um biólogo marinho, Beto Bubas, que vive na Patagônia argentina, mais propriamente na península de Valdes, a estudar baleias orcas. Em um determinado dia Beto encontra na porta de sua casa uma mãe espanhola com seu filho pequeno, Tristan, um menino autista, que ao ver um documentário de Beto na Tv esboçou reações nunca antes esboçadas. A mãe do garoto viajou o mundo para encontrar o biólogo a fim de ajudar o filho a se comunicar através do contato com as orcas. Toda a história é verídica. Beto existe e realmente encontrou uma mãe corajosa e seu filho autista, Agustín. A história tocou tão profundamente Roberto (Beto) que o inspirou a escrever o livro “Agustín Corazon Abierto”. Filme lindo, lindo, lindo! Disponível na Netflix.



Postado em Conti Outra em 18/04/2017





1 – Rain Man (1988)






2 – O enigma das cartas (1993)





3 – Gilbert Grape: aprendiz de um sonhador (1993)





4 – Experimentando a vida (1999)





5 - Uma lição de amor (2002)





6 – Meu nome é Radio (2003)






7 – Missão Especial ou Uma viagem inesperada (2004)






8 – Loucos de amor (2005)





10 – Um amigo inesperado (2006)





11 – Um certo olhar (2007)





12 – Sei que vou te amar (2008)





13 – Adam (2009)





14 – Mary e Max: uma amizade diferente (2009)





15 – Temple Grandin (2010)





16 – My Name is Khan (2010)





17 – Tão forte e tão perto (2011)





18 – Um elo de amor (2015)






19 – Farol das Orcas (2016)








Obs : Na lista de vídeos acima falta, apenas, o trailer do filme  9 – Uma família especial (2005), que do YouTube não é permitido compartilhar

  


18 abril 2017

A revolução não será delatada






Miguel do Rosário




Você não poderá ficar em casa, irmão”.


Assim começa o famoso – e maldito – poema de Gil Scott-Heron, a Revolução não será televisionada.

Há uma razão para os roteiristas de Homeland, a premiada série política americana, incluírem trechos desse poema, recitados pelo próprio Gil, na abertura de todos os episódios da temporada 6. O clímax narrativo da temporada acontece no episódio 11, quando Saul, ex-agente da CIA, explica à presidenta eleita sobre os métodos usados por seus adversários para enfraquecê-la.

Eu transcrevo a fala de Saul aqui, por motivos que vocês entenderão rapidamente conforme forem lendo:

É sério? É difícil ouvir o que vocês estão falando. Porque o que eu estou ouvindo não é um plano. Rastrear o dinheiro? Acreditem, é muito mais difícil do que pensam. Vocês ainda estarão fazendo isso quando o mundo rolar por cima de suas cabeças. Por que não conseguem enxergar? Está acontecendo debaixo de seus narizes!
Já temos O’Keefe (blogueiro de extrema-direita). Temos uma campanha de desinformação projetada para desacreditar a presidenta eleita. E a partir de hoje temos tropas em terra e os manifestantes dos quais me desviei para chegar aqui. Isto não lhes é familiar? Porque para mim, sim. Nós fizemos isso na Nicarágua, Chile, Congo, em vários outros países, começando pelo Irã, nos anos 50. E o regime eleito se dá mal. A vida de vocês está em jogo, entenderam? Vocês não podem se calar. E não me refiro à coletiva de imprensa.
– Ao que você se refere?
– Você o intimou a mostrar a cara e foi o que ele fez. Você tem que enfrentá-lo.

Desculpem se pareço repetitivo, mas eu sinto necessidade de afirmá-lo novamente: o que está acontecendo no Brasil, com a Lava Jato, é um golpe de Estado.

Assim como ocorre na trama de Homeland, e, na verdade, em quase todas as histórias parecidas, os articuladores do golpe não são os políticos, e sim as forças de segurança do próprio regime. No caso do Brasil, é a Lava Jato, ponta-de-lança dos setores mais radicalizados desse monstro de três cabeças que substituiu os militares de 1964: Ministério Público Federal, Polícia Federal e Judiciário.

Em algum momento, esses três setores perceberam que, trabalhando juntos, poderiam assumir o poder político no país.

Para isso, é preciso disseminar uma quantidade faraônica de desinformação, com vistas a desacreditar todo o sistema político, eleito pela população.

Dalton Dallagnol, por exemplo, aproveitando-se do momento, tem distribuído, via whatsapp, um artigo de José Padilha, que traz uma análise primária, profundamente preconceituosa, cheia de exageros e omissões, sobre o sistema político brasileiro. Não fala nada sobre desigualdade de renda. Não fala nada, claro!, sobre concentração da mídia.

É claro que o nosso sistema político tem milhares de falhas. Mas é insanidade total destruí-lo sem termos nada para pormos em seu lugar.

Sobretudo, é antidemocrático e desonesto desacreditá-lo a golpes de delação.

Esse último espetáculo da Lava Jato me provocou profundas náuseas. No vídeo com Emilio Odebrecht, vemos o procurador usar o interrogatório para tentar incriminar a revista Carta Capital! É muita podridão! É Emílio, o delator, o corruptor, o “vilão”, que tenta defender a revista, explicando ao procurador que os adiantamentos de publicidade que fez à Carta Capital também foram usados para o Estadão, Folha, Correio Braziliense, para toda a imprensa brasileira!

Como a história se repete!

O “mar de lama” do tempo de Vargas era a Lava Jato daquela época. Os mesmos jornais, representantes das mesmas forças reacionárias, acusavam o governo de ter financiado, através do Banco do Brasil, a Última Hora, de Samuel Wainer. Anos depois, Nelson Werneck Sodré, em sua História da Imprensa Brasileira, resgata documentos que provam que (olha eles de novo!) Folha, Estadão, Globo, Correio da Manhã, receberam financiamentos, do mesmo Banco do Brasil, ainda maiores!

No post anterior, eu já explicitei esse raciocínio, mas gostaria de aprofundá-lo: a delação (o fato de ser “premiada” apenas a torna ainda mais ilegítima) é a representação mais perfeita da antiverdade.

O problema não se trata apenas de acreditar ou não numa delação, e sim dar legitimidade ao discurso de um delator!

Uma delação pode até conter várias verdades, mas a maneira como essas verdades são contadas podem configurar a maior mentira de todas!

Se a imprensa comercial, que depende de sua credibilidade, especializou-se, de maneira tão sofisticada, em produzir pós-verdades em série, o que dizer de um delator?

O problema da informação política destinada às grandes massas é que estas não são guiadas por informações verdadeiras, e sim por símbolos fortes que vão de encontro a seu profundo irracionalismo, conforme explica Wilhelm Reich, em Psicologia de Massas do Fascismo.

É assim que fazem os partidos políticos. É assim que fazem os grandes meios de comunicação.

A Lava Jato está legitimando, no topo da pirâmide social, a repressão brutal e indiscriminada que sempre aconteceu embaixo. Por isso, não é lógico que setores da esquerda defendam a operação com o argumento infantil de que está “prendendo empresários e políticos”, ou “desmontando o sistema político burguês”. O objetivo de um regime democrático, seja de esquerda, socialista ou liberal, não é “prender empresários e políticos”, e sim ampliar o conjunto de direitos e liberdades à disposição da sociedade. Ou seja, temos que prender menos, não mais. Se há políticos e empresários que cometeram crimes, que sejam punidos, mas com direito amplo à defesa, inclusive o de responder ao processo em liberdade!

Nos últimos dias, o STJ indeferiu habeas corpus para o Almirante Othon Pinheiro e para o ex-ministro Pallocci. O judiciário tornou-se um bloco monolítico em apoio às violências e arbítrios da Lava Jato, até porque os ministros tem medo da operação. Um ou outro ministro do STJ que ousou discordar de seus métodos foi rapidamente enquadrado através do modus operandi da Lava Jato, que é vazar alguma coisa contra a pessoa. Como a Lava Jato detêm o maior banco de dados do país, com dados eletrônicos, telefônicos, fiscais, bancários, de milhares de pessoas, não é difícil para seus operadores vazarem um trecho qualquer em que um investigado menciona o nome de alguém. Daí essa nova categoria penal, genial, terrível, que a imprensa adotou com tanto entusiasmo e cinismo, como se tivesse existido desde sempre: o citado na Lava Jato. Fulano foi “citado” na Lava Jato. Não quer dizer nada, mas é o bastante para se iniciar um desgastante e paralisante processo de enlameamento da reputação.

Luciana Genro, defensora da Lava Jato, acaba de sentir o bafo na nuca, ao aparecer como recebedora de uma quantia de empresa vinculada à Odebrecht.

Temos de tomar muito cuidado, porém, para não sucumbir às violências morais da Lava Jato.

A situação do PT é muito complicada do ponto-de-vista narrativo. Eles tem de jogar não apenas contra um time infinitamente mais poderoso, porque tem mídia, mas contra o próprio juiz!

Os militantes e operadores políticos do PT lutam com as armas que conseguem, a custo de muito sacrifício, tomar das mãos de seus inimigos, brandindo em suas redes pedaços de delações que possam neutralizar o jogo de acusações e contra-acusações que um partido lança ao outro. É um método perigoso, porque ao mesmo tempo que atinge o seu inimigo partidário, também fortalece os operadores que atuam como adversários políticos e jurídicos.

A leitura do livro Justiça Política, de Otto Keichmeiner, que relata as aflições de operadores políticos europeus e russos, comunistas, social-democratas, nazistas, liberais, de todos os credos, para transformarem batalhas judiciais em capital político, me fez compreender melhor os dilemas dos partidos brasileiros em meio à guerra jurídica.

Keichmeiner estuda generosamente o problema do “delator”, que é uma figura sempre presente na justiça política. Ele explica que o delator jamais falará a verdade. O delator tentará, invariavelmente, dizer alguma coisa que beneficie a si mesmo, que agrade ao interrogador e que, naturalmente, atinja com a maior violência possível o adversário das forças que controlam o processo de delação.

A Lava Jato ainda tem cartas na mão. Ela pode prender quem ela quiser, e obrigar essa pessoa a delatar.

Isso sem contar os que já estão presos, e ainda não se decidiram a delatar: Pallocci, Eike Batista, João Santana e sua esposa, Sergio Cabral.

Qual a resistência psicológica de cada um desses antes de falar exatamente o que os procuradores querem ouvir?

A partir do momento em que se elege a “delação” como principal arma política, e as críticas à delação são neutralizadas por uma estratégia bastante sofisticada de relações públicas (que inclui vazamentos cuidadosamente seletivos), então os órgãos de repressão detêm um poder descomunal. Um delator pode dizer tudo que você quiser. Pode falar, por exemplo, que um determinado dirigente político “sabia”. Que numa noite tal, foi conversado “tal coisa”.

A ética desse tipo de investigação é deplorável. Aprovar e apoiar a delação premiada foi mais um desses atos suicidas do PT que nasceram de sua debilidade no campo do pensamento jurídico, e, mais genericamente, de sua miséria intelectual, ao não criar um think tank que discutisse, antes de tomar qualquer decisão, os seus prós e contras.

Delação é uma coisa negativa, antiética. O ser humano precisa ser leal, sempre! Sem confiança, sem lealdade, não há política, não há solidariedade, não há civilização.

Se alguém precisa denunciar um crime que testemunhou, de um político ou empresário, que seja uma delação espontânea, baseada na consciência de que está fazendo um bem à sociedade.

Premiar a delação é bizarro. Premiar uma delação extraída de alguém sob tortura, sob ameaça de permanecer em “prisão cautelar” por tempo indeterminado, é duplamente bizarro!

Quanto à questão de se “acreditar” numa delação, não creio que exista nada mais profundamente antijornalístico ou mesmo antifilosófico.

Um jornalista não deveria acreditar nem em provas. Um jornalista de verdade não deve acreditar em nada.

A história já mostrou muito bem que provas podem ser manipuladas, e que a nossa própria consciência nos prega um monte de peças.

Um jornalista não precisa “acreditar” em alguma coisa. Ele deve questionar. Questionar, sobretudo, o poder!

Cadê todos aqueles jornalistas que viviam dizendo que a imprensa deveria questionar o poder? Onde está o questionamento do judiciário, da Lava Jato, do Ministério Público, da própria grande imprensa?

O trabalho do jornalista deveria constituir, sempre, um contraponto à violência do Estado. Se alguém é acusado pelo Estado, não compete ao jornalista se aliar ao Estado na acusação. Um jornalista dotado de espírito democrático, humanista e liberal deve ouvir, primordialmente, a versão do acusado, porque ele é a parte frágil do processo.

A Lava Jato nos revela ainda uma outra coisa, extremamente importante: a demagogia é desonesta, hipócrita e cínica.

Testemunhamos, esse tempo todo, colunistas da grande imprensa declarando que a justiça brasileira é boa porque está prendendo “poderosos”, sem jamais lembrar aos espectadores/leitores uma coisa óbvia. Os verdadeiros poderosos não vão presos. É exatamente por isso que eles são poderosos. É uma questão lógica.
Se alguém é preso pela Lava Jato, isso é prova cabal de que esse fulano não era tão poderoso como ele mesmo pensava. A Lava Jato pode estar prendendo políticos e empresários, mas não poderosos!

A Lava Jato está revelando, com uma clareza solar, quem são os verdadeiros poderosos no país: o Estado burocrático, não-político, em primeiro lugar, representado por seus agentes de repressão; em segundo, os barões da mídia; os banqueiros, em terceiro.

Encerro o post com um outro trecho do poema de Gil Scott-Heron:

A primeira revolução acontece quando você muda a sua mente sobre como ver as coisas, e percebe que pode haver uma outra maneira de olhar para elas que ainda não lhe mostraram. O que você vê depois é o resultado disso, mas essa revolução, esta mudança que se opera em sua maneira de ver, não será televisionada.


 Postado em O Cafezinho em 18/04/2017


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