28 agosto 2012

Criança vítima do mundo adulto !


Criança de 6 anos prega violência e preconceito em vídeo deplorável

O loiríssimo pirralho afirma que reeleger Obama significa tirar as armas dos “mocinhos”. Afirma isto, comporta-se como um mocinho, saca a arma e atira para a câmera, acertando a consciência de todos os que se opõem à violência e que lutam pela paz. Assista ao vídeo abaixo

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Vídeo foi divulgado duas semanas após o massacre proporcionado por um norte-americano num cinema do estado do Colorado, nos EUA. Foto: reprodução / vídeo
Fui baleado. Sim, baleado, quando assistia no YouTube ao filme “Dez motivos para não votar em Obama”. Baleado quando aquele pirralho do filme, de seis anos de idade, apontou a arma para quem estava em frente ao computador e puxou o gatilho.
Ainda por cima, após puxar o gatilho, no velho estilo cowboy, assoprou o cano do revólver. Com este gesto, senti que o tiro foi fatal. Um tiro fatal na ética e na luta pela paz. Para alguns, creio, o tiro acertou também a esperança de dias melhores, principalmente para os norte-americanos.
Com uma arma na cintura, uma criança de seis anos dá dez razões para não votar em Barack Obama. No inicio do “filme”, Isaac Anthony aparece à frente de um monte de lenha, arma na cintura e um machado na mão, no mais característico estilo de um lenhador do velho oeste dos EUA.
Numa outra cena, o valente republicano de seis anos de idade salta de uma SUV (camionete, tração nas quatro rodas com motor potente na razão de dezenas de cavalos), o cavalo dos cowboys contemporâneos. Muitos cavalgando suas SUVs pisoteiam tudo e todos. Mas isto é outra coisa.

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O pirralho salta da SUV, como se saltasse de um cavalo e dirige-se até o pneu dianteiro, encosta nele, como se estivesse encostando na paleta do cavalo, e destila mais uma das (odiosas) razões para não votar em Obama.
O filme (vídeo) é de iniciativa do Patriot Update, uma organização de direita dos Estados Unidos, e tem a duração de pouco mais de um minuto. Nele, o pirralho armado apresenta dez razões para não reeleger Obama e, ao defender uma das razões, é que, mesmo estando longe e sentado à frente do meu computador, fui baleado. Tiro fatal. O loiríssimo pirralho afirma que reeleger Obama significa tirar as armas dos “mocinhos”.
Afirma isto, comporta-se como um mocinho, saca a arma e atira para a câmera, acertando a consciência de todos os que se opõem à violência e que lutam pela paz.
Tece seu rosário de motivos e, entre eles, a acusação de que Obama tira o dinheiro de quem trabalha para dar para os que nada fazem. Por isso a cena dele como trabalhador (lenhador).
Este vídeo foi divulgado duas semanas após o massacre proporcionado por um norte-americano branco (ruivo) num cinema do estado do Colorado, nos Estados Unidos, no dia da estreia do novo filme de Batman, “O Cavaleiro das Trevas Ressurge”. Neste massacre,foram assassinadas 12 pessoas e feridas outras 58.
Estes “Dez motivos para não votar em Obama” têm causado polêmica, não só pelo mérito dos motivos, mas também pelo uso de crianças em campanha eleitoral, e o mais grave, uma criança pregando o preconceito e a violência, num mundo já violento. Pregando a violência num país (EUA) que periodicamente choca o mundo com alguns massacres.
Poucos dias depois do massacre no cinema do Colorado e da postagem do vídeo pelo Patriot Update, ocorreu mais um massacre, o do templo religioso sikh em Oak Creek, no estado de Wisconsin, onde foram assassinadas seis pessoas. Massacre este perpetrado por um homem (também) branco.
O autor do massacre fazia parte de duas bandas musicais que defendiam em suas musicas a supremacia dos brancos sobre as demais etnias e pregavam o ódio étnico-racial. Assim como o Patriot Update, também ele era de direita.
Um disco gravado por uma das bandas do matador se chama “Violent Victory” (Vitória Violenta), cuja capa traz um braço de um homem branco dando um soco num homem negro. Após investigações, não há dúvidas de que os sikhs foram vítimas de um ataque étnico-racial.
Veja o vídeo:
Há músicas, filmes, discursos, etc., pregando violência, ódio e preconceito, no entanto pouco é feito para combater essas ideias. Prefere o governo dos Estados Unidos caçar inimigos e terroristas fora de seu país do que tratar preventivamente os que existem em seu próprio território. Bem, isto é outra coisa, não?
Baleado, procuro restabelecer minha esperança.
Autor: Dr. Rosinha
Postado no blog Pragmatismo Político em 28/08/2012

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