10 julho 2013

A sentença que condena a ladra da Globo condena o país do medo



Fernando Brito
O jornalismo independente fez, com méritos e sacrifícios, a sua parte. Desde que, há duas semanas, O Cafezinho, blog de Miguel do Rosário, levantou o caso da sonegação de impostos da Rede Globo, estamos trabalhando sozinhos para descerrar o véu de silêncio e cumplicidade que se formou em torno de um escândalo que, em qualquer país do mundo, teria repercussão semelhante à que teve o caso Murdoch na Inglaterra.

Qualquer país do mundo, menos o Brasil, onde todos se vergam ao poder imperial da Rede Globo.

Onde estão os senhores deputados, os senhores senadores, a Polícia Federal, o Ministério Público do Dr. Roberto Gurgel, com todos os seus poderes garantidos pela derrota da PEC 37, pela qual fizeram tanto alarde?

Onde está a imprensa brasileira, os profissionais que enchem a boca para falar que é o Estado e não o interesse patronal quem os quer censurar?

Desapareceram, como o processo da Globo?

Aí está o caso, nu e cru: uma funcionária da Receita Federal condenada por furtar um processo de sonegação de mais de R$ 600 milhões da mais importante empresa de comunicação do país.

Agora estão explicados os sete anos no limbo do “em trânsito” com que o processo constava no protocolo da Receita.

Aí está a resposta do “onde está o Darf?” que a Globo se negava a mostrar.

Aí está a vergonha de um país onde o poder do Império é maior do que o da República e torna legítimo que uma empresa concessionária de serviços públicos corrompa com uns trocados uma servidora desonesta e, assim, faça sumir R$ 600 milhões de dinheiro que deveria estar nos cofres públicos, pagando a saúde, a educação, o transporte que este câncer da comunicação alardeia defender e mostra mocinhas de rosto sorridente a exibir o pedido, nos estádios de futebol.

Todos têm medo.

Quase todos.

Nós, os blogueiros ditos “sujos”, não.

E estamos entregando ao país os documentos que provam o que todos sabiam e só nós dissemos.

Aí está, abaixo, a sentença.

A esta altura, numa democracia, dezenas de jornais e emissoras de televisão estariam postadas à porta da casa da corrupta condenada e à porta da corruptora que a fez delinquir, com câmara e microfones ávidos por desvendar o caso até o fim.

Aqui, não.

Porque o Brasil será sempre uma subdemocracia enquanto a coluna de nossas instituições e de nossos homens públicos estiverem vergadas ao poder do Império.

Enquanto frequentarem os seus camarotes em lugar de faze-los frequentar os tribunais, pelos crimes que cometem.

Derrubamos a Ditadura, é certo. Mas não o Império. Ainda não somos uma República, portanto, onde todos somos iguais perante a lei.


Postado no blog Tijolaço em 09/07/2013


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