31 janeiro 2014

Foi vivendo ...




Foi andando muito preocupado pelas ruas,
que descobri mais um motivo para sorrir:
o meu poder de ir e vir.

Foi chorando por um desastre amoroso,
que descobri mais um motivo para me encantar,
a minha capacidade de viver o amor, de amar.

Foi deitado em uma cama, doente nem sei de que,
que descobri mais um motivo para viver,
a minha força de cura e o poder de me restabelecer.

Foi em meio a maior miséria na minha vida,
onde tudo faltou, que descobri a fartura.

Percebi que posso recomeçar com bravura.

Foi assim, que em meio a tantos abandonos,
tantas desilusões, traições, perdas e danos,
que descobri a alegria de se ter uma família,
de se lutar por alguém, de viver por um ideal.

Ser feliz não se mede com saldo no banco,
nem com quantas coisas você tem,
mas com a capacidade de se levantar após cada queda,
sentindo aquele desejo maior de vencer, de crescer.

Se você já caiu, ou está no fundo do poço,
saiba que no escuro da noite,
Deus em sua misericórdia infinita,
sempre envia uma estrela para iluminar nosso caminho.

Se você acreditar em seu poder pessoal
vai virar a mesa, vai mudar, vai vencer
 e vai descobrir que sorrir
é a certeza de que o melhor está por vir.

Paulo Roberto Gaefke







Tá quente, né ? Mas olha só, se estivesse muito frio...



Richard Jakubaszko 

Por todo canto que ando só ouço gente reclamando do calor que anda fazendo.

É gente que não tem noção do que seja frio, mas frio mesmo, com muita neve e gelo. 

Divirtam-se com o vídeo abaixo, antes que o aquecimento planetário chegue, ou que resfrie tudo, conforme previsto por alguns cientistas...




Postado no blog Richard Jakubaszko em 29/01/2014



30 janeiro 2014

Lewandowski não solicita diárias, já o Joaquim Barbosa ... Ética e honra não são para os apequenados e manipulados pelo status quo !





Presidente em exercício do STF fez palestra e recebeu medalha de honra na Faculdade de Direito de Lisboa, dia 17; ministro interrompeu férias, mas não quis diárias de viagem.

Antes, no dia 3, presidente em férias Joaquim Barbosa recebeu R$ 14 mil por 10 dias de viagem entre os dias 20 e 30, nos quais teria apenas dois compromissos oficiais; debate ético que, para Barbosa, "é uma tremenda bobagem".

Para Ricardo Lewandowski tem significado moral; em latim, na medalha que ele recebeu sem querer benefício do Estado por isso, está escrito: Honeste vivere, alterum non laedere, suum cuique tribuere (Viver honestamente para não lesar os outros e dar a cada um o seu próprio)

Mais uma diferença ética e de interpretação de direitos separa o presidente em férias do STF, Joaquim Barbosa, do presidente em exercício, ministro Ricardo Lewandowski

Enquanto Barbosa não viu problemas em requisitar e aceitar R$ 14 mil em diárias para 10 dias de passeio pela Europa, nos quais teve dois compromissos oficiais, em Paris e Londres, Lewandowski não recebeu nenhum tipo de gratificação para, também em seu período de férias, receber da Faculdade de Direito de Lisboa uma medalha de honra após proferir palestra.

A honraria contém gravada a expressão em latim Honeste vivere, alterum non laedere, suum cuique tribuere (Viver honestamente para não lesar os outros e dar a cada um o seu próprio). O convite foi feito pela organização do evento, que foi realizado na capital portuguesa no último dia 17.

O site do STF registrou que Barbosa recebeu logo no dia 3 de janeiro o valor das diárias que usaria entre os dias 20 e 30 deste mês. No mesmo setor, porém, não há registro de recebimento de diárias por Lewandowski, que efetivamente não requereu o benefício.

Questionado, em Paris, se considerava adequado receber diárias funcionais mesmo desfrutando de férias, apenas por ter apenas dois compromissos oficiais em 10 dias a Europa, Barbosa afirmou que o debate não passava de "uma tremenda bobagem". 

Lewandowski mostrou ser diferente de "qualquer outro". Ao não requisitar diárias, o ministro, que interrompeu suas férias para receber a homenagem em Lisboa em seguida à realização de uma palestra, passou uma mensagem de ética. Se todos fizessem como ele, os cofres públicos seriam poupados e a imagem da Justiça sairia fortalecida.



29 janeiro 2014

Aplicando 5S na vida pessoal


Aplicando 5S na vida pessoal

Tom Coelho

"Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustăo.
Doze meses dăo para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovaçăo e tudo começa outra vez,
com outro número e outra vontade de acreditar,
que daqui para diante vai ser diferente".

(Carlos Drummond de Andrade)

Agora que você já fez a famosa contagem regressiva, bebeu champanhe, cumprimentou amigos e familiares, fez ótimas refeições e dormiu bastante, bem-vindo de volta ao cotidiano.

Para algumas pessoas, não passou de um dia como outro qualquer, uma passeadinha a mais dos ponteiros nos relógios, exceção feita a uma mesa mais farta e ao final de semana prolongado.

Todavia, prefiro seguir Drummond, aproveitando a magia do momento para refletir sobre os últimos 12 meses, repensar sobre os objetivos e metas traçadas, e recomeçar a luta e a caminhada.

Em Administração, utilizamos um expediente importado lá do Oriente, mais precisamente do Japão pós-guerra, chamado de "5S". Este nome provém de cinco palavras japonesas iniciadas pela letra "s": Seiri, Seiton, Seisou, Seiketsu e Shitsuke.

Os cinco sensos constituem um sistema fundamental para harmonizar os subsistemas produtivo-pessoal-comportamental, constituindo-se na base para uma rotina diária eficiente.

Praticar os 5S significa:

. Seiri (senso de utilização): separar as coisas necessárias das desnecessárias;

. Seiton (senso de organização): ordenar e identificar as coisas, facilitando encontrá-las quando desejado;

. Seisou (senso de zelo): criar e manter um ambiente físico agradável;

. Seiketsu (senso de higiene): cuidar da saúde física, mental e emocional de forma preventiva;

. Shitsuke (senso de disciplina): manter os resultados obtidos através da repetição e da prática.

A aplicação dos 5S em uma empresa, em especial do setor industrial, deve ser efetuada com critérios, inclusive com supervisão técnica dependendo do porte da companhia. Mas meu convite, neste instante, é para você praticar os 5S em sua vida pessoal.

Assim, que tal aproveitar estes primeiros dias do ano para fazer uma pequena revolução pessoal?

Aplique Seiri em sua casa e em seu escritório. Nos armários, nas gavetas, nas escrivaninhas. Tenha o senso de utilização presente em sua mente. Se lhe ocorrer a frase: "Acho que um dia vou precisar disto...", descarte o objeto em questão, pois você não o utilizará. 

Pode ser uma roupa que ganhou de presente ou comprou por impulso e nunca a vestiu, por não lhe agradar o suficiente, mas que acalentará o frio de uma pessoa carente. Podem ser livros antigos, hoje hospedeiros do pó, que contribuirão com a educação de uma criança ou um jovem universitário. 

Seja seletivo. Elimine papéis que apenas ocupam espaço em seus arquivos, incluindo revistas e jornais que você acredita estar colecionando. Organize sua geladeira e sua despensa - você ficará impressionado com o número de itens com prazo de validade expirado.

Na próxima fase, passe ao Seiton. Separe itens por categorias, enumerando-os e etiquetando-os quando adequado. Agrupe suas roupas obedecendo a um critério pertinente a você, como por exemplo, dividir vestimentas para uso no lar, daquelas destinadas para trabalhar, de outras utilizadas para sair a lazer. 

Organize seus livros por gênero (romance, ficção, técnico etc.) e em ordem de relevância e interesse na leitura. Separe seus documentos pessoais e profissionais em pastas, uma para cada assunto (água, luz, telefone...). Estes procedimentos lhe revelarão o que você tem e atuarão como "economizadores de tempo" quando da busca por um objeto ou informação.

Com o Seisou, você estará promovendo a harmonia em seu ambiente. Mais do que a limpeza, talvez seja o momento para efetuar pequenas mudanças de layout: alterar a posição de alguns móveis, colocar um xaxim na parede, melhorar a iluminação.

Agora, basta aplicar os últimos dois sensos já mencionados, o Seiketsu, que corresponde aos cuidados com seu corpo (sono reparador, alimentação balanceada e exercícios físicos), sua mente (equilíbrio entre trabalho, família e lazer) e seu espírito (cultive a fé) e o Shitsuke, tão simples quanto fundamental, e que significa controlar e manter as conquistas realizadas.

Faça isso e eu desafio você a ter pela frente 12 longos e prósperos meses!

Postado no site Somos Todos Um


28 janeiro 2014

Tudo que vicia começa com C



Luiz Fernando Veríssimo

Por alguma razão que ainda desconheço, minha mente foi tomada por uma ideia um tanto sinistra: vícios.

Refleti sobre todos os vícios que corrompem a humanidade. Pensei, pensei e, de repente, um insight: tudo que vicia começa com a letra C!

De drogas leves a pesadas, bebidas, comidas ou diversões, percebi que todo vício curiosamente iniciava com cê.

Inicialmente, lembrei do cigarro que causa mais dependência que muita droga pesada. Cigarro vicia e começa com a letra c. 

Depois, lembrei das drogas pesadas: cocaína, crack e maconha. Vale lembrar que maconha é apenas o apelido da cannabis sativa que também começa com cê.

Entre as bebidas super populares há a cachaça, a cerveja e o café. Os gaúchos até abrem mão do vício matinal do café mas não deixam de tomar seu chimarrão que também - adivinha - começa com a letra c.

Refletindo sobre este padrão, cheguei à resposta da questão que por anos atormentou minha vida: por que a Coca-Cola vicia e a Pepsi não? 

Tendo fórmulas e sabores praticamente idênticos, deveria haver alguma explicação para este fenômeno. Naquele dia, meu insight finalmente revelara a resposta. É que a Coca tem dois cês no nome enquanto a Pepsi não tem nenhum.
Impressionante, hein?

E o computador e o chocolate? Estes dispensam comentários.

Os vícios alimentares conhecemos aos montes, principalmente daqueles alimentos carregados com sal e açúcar. Sal é cloreto de sódio. E o açúcar que vicia é aquele extraído da cana.

Algumas músicas também causam dependência. Recentemente, testemunhei a popularização de uma droga musical chamada "créeeeeeu". Ficou todo o mundo viciadinho, principalmente quando o ritmo atingia a velocidade... cinco.

Nesta altura, você pode estar pensando: sexo vicia e não começa com a letra C. Pois você está redondamente enganado. Sexo não tem esta qualidade porque denota simplesmente a conformação orgânica que permite distinguir o homem da mulher. O que vicia é o "ato sexual", e este é denominado coito.

Pois é. Coincidências ou não, tudo que vicia começa com cê. Mas atenção: nem tudo que começa com cê vicia. 

Se fosse assim, estaríamos salvos pois a humanidade seria viciada em Cultura...


Fundamentalismo midiático: zumbis amestrados defendem liberdade de "nossa" imprensa



Washington Araújo

Existe um novo tipo de fundamentalismo. E é tão letal quanto o religioso e perigoso quanto o ideológico. É o fundamentalismo midiático.

Esse fundamentalismo padece das vãs fantasias, como de costume, levadas ao extremo: julga-se auto-suficiente, tem certeza de sua superioridade intelectual, aferra-se à ideia maniqueísta do “somos moralmente imbatíveis e os demais destituídos de qualquer predicado moral”.

É assim que o jornalismo praticado por Veja, Folha de S.Paulo, O Estado de São Paulo e Organizações Globo (TV Globo, Globo News, O Globo, Época e CBN) passa a ser referido como jornalismo-verdade, jornalismo-sério, jornalismo-tradição, jornalismo-isento.

Os demais meios de comunicação – notadamente na Web – simbolizam seus contrários, jornalismo-mentira, pândego, experimental e cooptado pelo governo de plantão nas esferas federal, estadual e municipal. Para esse jornalismo de segunda linha os “fundamentalistas” cunharam as expressões “jornalismo de esgoto/esgotofera”, “blogues sujos e mal-cheirosos”, “revistas QuantoÉ”.

O fundamentalismo midiático se apropria da ingenuidade das pessoas para transformá-las em meros autômatos, em zumbis amestrados, roubando-lhes o que têm de mais precioso – a capacidade de pensar por si mesmos.

Como guardiães de verdades inquestionáveis, esses fundamentalistas agem conscientes de seu poder de fogo: enfraquecem os governos com suas chamadas alarmantes e suas pesquisas feitas no calor da hora em que qualquer governo se sinta acuado ou fragilizado (vejam as manifestações populares de junho de 2013 e a imediata pesquisa Datafolha feita a toque de caixa); tratam os opositores do governo com extrema complacência (observem como a corrupção sobre os trilhos de São Paulo continuam sendo referidos como “suposto cartel”, não obstante a multiplicidade de provas, evidências, documentos, testemunhos e condenações judiciais dessas mesmas empresas corruptoras em Cortes da Suiça, Estados Unidos, França).

Os fundamentalistas brandem seu corporativismo tantas vezes quantas sejam necessárias. Como cartel bem estruturado administrativa e financeiramente, mexeu com um nexeu com todos. Seguem o lema de ‘Os Três Mosqueteiros’ – um por todos, todos por um.

E é assim que o escândalo regular forjado por Veja com repórteres acionados por controle remoto na semana anterior ganha capa na edição do sábado seguinte, recebe espaço generoso na edição do Jornal Nacional do mesmo dia, assegurando-se tratamento diferenciado com ‘testemunha-chave’ na revista dominical Fantástico e ao longo da semana será escândalo de uma nota só – editoriais e colunistas esbravejando nos jornais tradicionais do eixo Rio-São Paulo. Essa a receita do fundamentalismo sempre que se percebe ameaçado em seu monopólio de gerir o lucrativo negócio da comunicação.

Que ninguém se iluda, aos fundamentalistas só interessa atuar como força política capaz de proteger e alavancar seus interesses econômico-financeiros. Para ocultar essa sórdida agenda são trazidos à cena biombos com as surradas expressões “Liberdade de Imprensa”, “Pluralismo de Ideias”.

Só que, para ser verdade, far-se-ia necessária a inclusão do pronome possessivo “nossa”. Esses fundamentalistas midiáticos querem mesmo é ”Liberdade de Nossa Imprensa” e “Pluralismo de Nossas Ideias”.


Postado no blog Cidadão do Mundo em 26/01/2014


Esclarecimentos sobre a Direita Miami



Juremir Machado da Silva


O mais comum é que cada personagem não tenha consciência da sua personalidade. O Brasil vem sendo dominado, na classe média e na mídia, por um tipo muito especial, o lacerdinha, representante da direita Miami.

É um pessoal que se acha sem ideologia, pois, para o lacerdinha autêntico, ideologia é coisa de esquerdista comedor de criancinha. A direita Miami acredita que todo esquerdista é comunista de carteirinha e que sonha com uma sociedade no modelo da Coreia da Norte.

O ideal da direita Miami é comer hambúrguer na Flórida, visitar a Disney todos os anos, ler a Veja, ver BBB, copiar e colar artigos de colunistas que falam todo dia da ameaça vermelha – e não é o Internacional nem o América do Rio -, esbaldar-se em shoppings sem rolezinhos, salvo patricinhas e mauricinhos, e denunciar programas governamentais, exceto de isenções de impostos para ricos, como esmolas perigosas e inúteis.

A direita Miami tem uma maneira curiosa de raciocinar.

– Se você é esquerdista, por que vai à Europa?

– Não entendi a relação – balbucia o ingênuo.

– Se você é esquerdista, por que tem plano de saúde?

A direita Miami contabiliza as mortes produzidas pelo comunismo, no que tem razão, mas jamais pensa nas mortes produzidas pelo capitalismo no passado e no presente. Mortes por fome, falta de condições sanitárias e doenças evitáveis não impressionam os lacerdinhas. 

Não parece possível à direita Miami que se possa recusar o comunismo e o capitalismo brasileiro. A social-democracia escandinava, por exemplo, não chama atenção dos sacoleiros de Miami. É uma turma que quer muito Estado para si e pouco para os outros. De preferência, muito Estado para impedir greves, estimular isenções fiscais para grandes empresas e reprimir movimentos sociais.

O mais curioso na direita Miami é que, embora defenda o Estado mínimo na economia, salvo se for a seu favor, gosta de Estado robusto em questões morais como consumo de drogas e de sexualidade, aquelas que, mesmo criticando, costuma praticar e exigir tratamento diferenciado quando o Estado flagra algum dos dela em conflito com a lei. 

A direita Miami fala ao celular, dirigindo, sobre a sensação de impunidade no Brasil e, se multada, denuncia imediatamente a indústria da multa.

A direita Miami é contra cotas, Bolsa-Família, ProUni e todos esses programas que chama de assistencialistas e eleitoreiros. Vive de olho no impostômetro e, para não colaborar com a excessiva arrecadação dos governos, faz o que pode para sonegar o que deve ao fisco. Roubar do Estado que gasta mal parece-lhe um dever moral superior.
Um imperativo categórico.

A direita Miami vive denunciando Che Guevara, mas nunca fala de Pinochet. Se dá uma melhorada na economia dos camarotes, pode torturar e matar. As vítimas são esquerdistas mesmo.

A direita Miami adora metrô em Paris, quando vai até lá, apesar de achar que tem muito museu chato e pouco shopping bacana, mas é contra estação de metrô no seu bairro. Tem medo que atraia “marginais”. A última moda da direita Miami é o sertanejo universitário. Quanto mais a tecnologia evolui, mas a direita Miami se torna primária. O que lhe falta, resolve com silicone.


Postado no Blog Juremir Machado da Silva em 25/01/2014


26 janeiro 2014

Emocionante crônica em homenagem às vítimas da tragédia da Boate Kiss em Santa Maria, Rio Grande do Sul. Incêndio em 27/01/2013 onde morreram 242 pessoas










A cara horrenda da injustiça  

Quando a meia-noite de domingo passar trazendo a segunda-feira eu quero estar acordado. Estarei vestindo uma camisa branca nos primeiros minutos do dia 27 de janeiro. 

Vou acender uma vela, pingando a cera num pires para assentá-la e depositá-la sobre a mesa de modo que a aura luminosa da chama me alcance. Então fecharei os olhos e esperarei o transcorrer da madrugada em minha vigília silenciosa. 

Sei que me ocorrerão sorrisos, abraços, afagos. E amigos bebericando, e namorados enlaçando-se, e desconhecidos jogando olhares uns aos outros no rito ancestral do cortejo mútuo a que os jovens se dedicam para formar novos casais, ainda que no escasso tempo de um verão.

Ouvirei música dançante, murmúrios e cochichos, o zunzum baladeiro da alegria reverberando no salão.

E quando a fenda do caos se abrir, sulcando o chão e engolindo sonhos e aspirações, tragando projetos de vida, fazendo levantar a poeira da saudade no espaço vazio, eu já quero estar de olhos bem abertos.

Eis o momento em que pegarei o pires com a minha vela para alumiar a escuridão da noite e enxergar todas as faces da dor. Não adianta esconder as mil caras da dor.

Quero olhar para cada uma delas, ocultas sob a máscara do engano, da omissão, do cinismo, do adiamento, da procrastinação e da indiferença, arrancando-lhes o véu para deixá-las escancaradas e nuas, com todas as suas vergonhas expostas.

Com minha vela erguida, sob o lusco-fusco de minha chama bruxuleante, verei a cara feia da injustiça. Ela me ofenderá com sua feiura, mas, mesmo enojado, mesmo acometido de engulhos, eu não tirarei os olhos dela um segundo sequer. 

Eis o desejo inconfessável dos omissos, dos egoístas e dos indiferentes: que a cara feia da injustiça nos assuste, que sua aparência repugnante nos faça desviar os olhos dela para que siga em sua missão de promover o esquecimento. 

Não lhes desviaremos o olhar antes de desmascará-la. Estarei com minha vela tímida mas insistente, ínfima mas acesa, e haverá ainda muitas outras velas na cidade, um toquinho aqui outro ali, formando um imenso farol de lucidez a fustigar os olhos horrendos da injustiça até que, por trás de sua mortalha opaca, apareça, enfim, a límpida cara da verdade.

Quando a manhã da segunda-feira chegar, com a triste lembrança de um trágico domingo, estaremos todos abraçados, cada pai, cada mãe, cada irmão, irmã, primos, avós, amigos, camaradas, cada conterrâneo, cada um com sua vela, olhando sem piscar para os olhos da injustiça até subjugá-la, até acuá-la, até que ela seja purgada e extinta. 

Aí, então, descansaremos e a cidade encontrará a sua paz.

 Marcelo Canellas

Pelo prazer e alegria de viver!



Flávio Bastos

O homem, mergulhado no mistério da vida em busca de respostas que tragam paz aos corações e mentes, ou à procura de prazeres que o façam esquecer de seu corpo finito que um dia perecerá, equilibra-se na corda bamba de sua existência como se a morte representasse o intransponível abismo de seu trágico fim.

Não percebe o homem ocidental, arraigado à sua cultura materialista, que a vida é apenas um capítulo de um livro que contém muitas páginas e capítulos de sua existência corpórea. Desta forma, alienado de sua essência, atira-se aos gozos do materialismo porque, cedo ou tarde, ocorrerá a queda no abismo, trazendo consigo o escuro manto da finitude.

Confuso, angustiado e, muitas vezes, dividido entre os prazeres mundanos ou uma vida com o cultivo de valores espirituais que promovam a essência no lugar do ego e suas necessidades voltada para si, o homem deixa-se levar pelas escolhas mais imediatas e palpáveis que contemplam o eu como sendo o centro do universo.

Ao separar o prazer do resto, o indivíduo dotado de inteligência restringe a experiência de viver ao mundo físico, onde busca na satisfação de suas necessidades egóicas, aplacar a angústia que sente da própria morte, como se não existisse vida após a vida.

No entanto, aos poucos, inspirado pela invisível energia da Nova Era de transformações, o homem começa a perceber que os prazeres efêmeros morrem com o corpo físico, e que o prazer de viver precisa ser redimensionado no sentido de valorizar o indivíduo inserido no contexto interdimensional de sua existência, ou seja, de uma vida compartilhada com o semelhante através de valores que promovam a prática da caridade, observada no seu sentido mais amplo como um ato de amor e de prazer inserido no cotidiano da vida.

Nesta direção, os prazeres individualistas e exclusivistas, fundamentados numa cultura alienante de consumo, serão, gradualmente, substituídos por um valor de interesse coletivo e solidário que gera o amor abrangente entre os homens: o bem-comum.

Sendo assim, o homem passará a conciliar certos prazeres mundanos necessários à sensação de bem-estar pessoal, aos prazeres relacionados à prática do bem-comum e do amor fraternal na dinâmica da vida. Isto é, o prazer deixa de ser um ideal meramente individualista, para tornar-se uma sensação prazerosa que envolve corpo e alma através do amor solidário e de valores do espírito que encontravam-se adormecidos na inconsciência.

No alvorecer da Era de Cristal, o progresso chega à humanidade gradativamente, com a mesma sutileza com que a claridade do dia faz desaparecer a escuridão da noite. Ele desce quase que imperceptível sobre as criações e criaturas como um orvalho fecundo e fundamental à nossa vida de espírito imortal.

Nada vem do nada. Os caminhos renovadores quase sempre aparecem em nossa jornada evolutiva como possíveis "coincidências", ou mesmo como acontecimentos ilógicos e enigmáticos. Na realidade, são experiências imprescindíveis que atraímos e que se encaixam perfeitamente nas nossas necessidades de renovação interior. O despertar vem de um modo que nem imaginamos.

A psicologia Junguiana chama as "coincidências" que ocorrem na vida do indivíduo de "fenômenos sincronísticos". No entanto, seja qual a denominação que utilizarmos, tenhamos a certeza de que tudo aquilo que nos acontece tem como objetivo profundo a renovação da alma e como propósito o bem-comum.

O progresso que atingimos hoje é compatível com o crescimento que tivemos ontem. Cada passo dado a caminho da maturidade é proporcional à etapa percorrida anteriormente. Avançamos pelo universo em conjunto harmônico com os outros humanos. A orquestra cósmica da qual compartilhamos é muito mais ampla do que podemos imaginar e cada um precisa dar a sua cota de participação na sinfonia do mundo. Somos parte do universo e ele é parte de nós.

A mente apegada à condição alienante do espírito encarnado, é incapaz de perceber a sua essência. O indivíduo agarrado ao ego está vazio do sagrado. O indivíduo que liberta-se dos grilhões do eu descobre que sempre esteve ligado ao sagrado.

O indivíduo em processo de desapego do eu exclusivista não vive atado aos vínculos doentios da "ansiedade de separação", pois crê plenamente que a lei das vidas sucessivas não destrói os laços da afetividade, antes os estende a um número cada vez maior de pessoas e também por toda a humanidade.

Portanto, é tempo de transformar os "prazeres da vida" em prazer e alegria de viver com significados que transcendam o apenas "aqui e agora" de uma vivência vazia de conteúdo na relação consigo próprio, com o outro e com o mundo que nos rodeia.

Postado no site Somos Todos Um


A partir do próximo amanhecer





Hoje “me dei um tempo” para pensar na vida.
Na minha vida!

Decidi então que a partir do próximo amanhecer,
vou mudar alguns detalhes para ser a cada 
novo dia, um pouquinho mais feliz.

Para começar, não vou mais olhar para trás. 
O que passou é passado, 
se errei, agora não vou conseguir corrigir.
Então, para que remoer o que passou?

Refletir sobre aqueles erros sim 
e então fazer deles um aprendizado 
para o “meu hoje”...

Nem todas as pessoas que amo, retribuem 
meus carinhos como “eu” gostaria... E daí?

A partir do próximo amanhecer vou continuar a amá-las, mas não vou tentar mudá-las.

Pode ser até que ficassem como eu gostaria que fossem e deixassem de ser as pessoas que eu amo.
Isso eu não quero.

Mudo eu...Mudo meu modo de vê-las.
Respeito seu modo de ser.

Mas não pense que vou desistir de meus sonhos.

Imagine!

A partir do próximo amanhecer, vou lutar com mais garra para que eles aconteçam.
Mas vai ser diferente.

Não vou mais responsabilizar
a mais ninguém por minha felicidade.

Eu vou ser feliz!

Não vou mais parar a minha vida porque
o que desejo não acontece, porque uma 
mensagem não chega, porque não ouço
o que gostaria de ouvir.

Vou fazer meu momento...
Vou ser feliz agora...
Terei outros dias pela frente.
Nunca mais darei muita importância aos problemas que não tenho conseguido resolver.

A partir do próximo amanhecer, vou agradecer a Deus, todos os dias por me dar forças para viver,
apesar dos meus problemas.

Chega de sofrer pelo que não consigo ter,
pelo que não ouço ou não leio.
Pelo tempo que não tenho e até de sofrer por antecipação, pensando sempre, apenas no pior.

A partir do próximo amanhecer, só vou 
pensar no que tenho de bom.

Meus amigos, nunca mais precisarão me dar
um ombro para chorar.

 Vou aproveitar a presença
deles para sorrir, cantar, para dividir felicidade.

A partir do próximo amanhecer vou ser eu mesmo.
 Nunca mais vou tentar ser um modelo de perfeição.
Nunca mais vou sorrir sem vontade
ou falar palavras amorosas por que
acho que sei o que os outros querem ouvir.

A partir do próximo amanhecer vou viver
minha vida, sem medo de ser feliz.
Vou continuar esperando.
Não, não vou esquecer ninguém.
Mas...

A partir do próximo amanhecer, quando a 
gente se encontrar, com certeza, vou te dar
aquele abraço bem apertado, e com toda
sinceridade dizer
adoro você e tenho muito amor para lhe dar.

Blandinne Faustine


Nota

Não conheço esta autora ou autor.
Apesar de existirem belos textos, na Internet, atribuídos(?) à autora ou autor, nada consta sobre ela ou ele.
Publico o texto acima e publicarei outros, pois têm beleza poética e mensagem positiva.

Rosa Maria - editora do blog


Você é contra o Bolsa Família ? Saiba o que é... Talvez você mude seu ponto de vista !






24 janeiro 2014

O poder interior


O poder interior


Elisabeth Cavalcante

O conceito de poder ao qual estamos habituados é, usualmente, aquele que se refere à atitude de exercer alguma influência ou domínio sobre o outro.

Entretanto, no plano da espiritualidade, o poder tem uma conotação muito mais profunda. Ele se refere ao poder sobre nós mesmos, que emana da consciência divina que habita em cada um.

Quando está plenamente desperto e fortalecido, ele se expressa como um poder espiritual, uma força interior que nos torna capazes de dominar o ego e as emoções e ter total segurança e controle sobre nossa própria vida.

Aquele que o experimenta, não teme o julgamento ou a rejeição alheias, nem direciona suas ações pelo medo ou a culpa. As escolhas, aliás, são os mais fortes indícios da plenitude do poder espiritual.

Quanto mais desenvolvido ele for, maior será a segurança para tomar decisões e, de forma madura, pagar o preço que for necessário por elas. Na imaturidade, ao contrário, teme-se fazer uma escolha por receio de errar ou pela incapacidade de abrir mão de alguma coisa para poder desfrutar de outra.

Para que o poder interior se torne o único mestre de nossa vida, é imprescindível que aprendamos a viver de modo totalmente consciente, ao invés de seguirmos num estado de letargia e adormecimento, deixando-nos arrastar pelos acontecimentos, como vítimas indefesas do destino.

Embora existam aspectos da existência que pertencem à dimensão do mistério, e sobre os quais não temos qualquer controle, grande parte de nossa jornada pode, sim, ser traçada pelo poder de nossa vontade, por um desejar profundo, que se impõe de maneira espontânea e natural, sem nenhuma luta, quando emana diretamente do nosso poder interior.

"Maturidade: A diferença entre a relva e as flores é a mesma que existe entre você enquanto não sabe que é um buda, e você no momento em que compreende que é um buda. De fato, nem poderia ser diferente. 

O buda é completamente florescido, inteiramente aberto. Os seus lótus, suas pétalas, chegaram a uma completa realização... Com certeza, ser você mesmo, pleno de primavera, é muito mais belo do que o orvalho de outono caindo sobre as folhas de lótus. 

E olha que essa é uma das coisas mais lindas de se ver: o orvalho de outono caindo sobre as folhas de lótus, brilhando ao sol da manhã, como pérolas verdadeiras. 

Naturalmente, isso não passa de uma experiência momentânea. À medida que o sol se levanta, o orvalho de outono começa a evaporar-se. Essa beleza passageira certamente não pode ser comparada com uma eterna primavera em seu ser. 

Por mais longe que você consiga olhar para trás, verá que essa primavera sempre esteve ali. Olhando para frente o mais que pode, você se surpreenderá: trata-se do seu próprio ser. Onde quer que você esteja, essa primavera estará também, e as flores continuarão a cair sobre a sua cabeça. Isso é primavera espiritual". Osho - No mind, the flowers of eternity.


Postado no site Somos Todos Um


Viver




Nem a tristeza, nem a desilusão.
Nem a incerteza, nem a solidão.
Nada me impedirá de sorrir.
Nem o medo, nem a depressão.
Por mais que sofra meu coração
Nada me impedirá de sonhar.
Nem o desespero nem a descrença.
Muito menos o ódio ou alguma ofensa.
Nada me impedirá de viver.
Mesmo errando e aprendendo.
Tudo me será favorável.
Para que eu possa sempre evoluir.
Preservar, servir, cantar, agradecer.
Perdoar, recomeçar...
Quero viver o dia de hoje.
Como se fosse o primeiro.
Como se fosse o último.
Como se fosse o único.
Quero viver o momento de agora.
Como se ainda fosse cedo.
Como se nunca fosse tarde.
Quero manter o otimismo.
Conservar o equilíbrio e fortalecer
a minha esperança...
Quero recompor minhas energias.
Para prosperar na minha missão,
e viver alegremente todos os dias.
Quero caminhar na certeza de chegar.
Quero lutar na certeza de vencer.
Quero buscar na certeza de alcançar.
Quero saber esperar para poder realizar,
os ideais do meu ser.

Blandinne Faustine


 Nota

Não conheço esta autora ou autor.
 Apesar de existirem belos textos, na Internet, atribuídos(?) à autora ou autor, nada consta sobre ela ou ele.
Publico o texto acima e publicarei outros, pois têm beleza poética e mensagem positiva.

Rosa Maria - editora do blog



22 janeiro 2014

O Brasil de várias Justiças - e injustiças



Carlos Motta

A Justiça deveria ser uma só no Brasil. Mas tudo indica que não é bem assim. Há várias Justiças pelo país afora, cada uma delas a serviço do chefe local.


A Justiça de São Paulo, todos sabem, é amicíssima dos políticos tucanos, que fazem do Estado seu feudo há 20 anos. 

As denúncias sobre a podridão em que se converteram os negócios do metrô paulistano são renovadas diariamente, mas encontram pela frente uma má vontade imensa por parte do Judiciário.

Em Minas Gerais, pelo que se lê, não é diferente.

O Estado, também dominado pelas aves bicudas, mostra um interessante repúdio pela prática democrática, pelo exercício do contraditório e pela tão aclamada "liberdade de imprensa".

Lá, quem não reza na mesma cartilha do senador Aécio Neves não se dá bem.

É o caso do dono do Novo Jornal, Marco Aurélio Carone, que foi preso, acreditem, preventivamente por causa das constantes críticas que faz ao grupo político que domina o Estado.

Parece coisa do outro mundo - o mundo não civilizado.

Uma juíza mandou prender o empresário para que ele deixe de criticar o clã Neves e seus amigos!

Além disso, os advogados de Carone não conseguem nem ter acesso ao processo para decidir sobre que atitude tomar.

Estamos falando de Minas Gerais, de um senador da República, não de algum ditador perdido na imensidão da África ou dos cruéis bolivarianos da Venezuela e seus comparsas sul-americanos.

O sujeito foi preso porque uma juíza acha que ele vai cometer um crime!

Incrível, extraordinário senso de Justiça!

Sensacional interpretação das leis do país!

O fato é que, do jeito como as coisas vão indo no Brasil, com juízes agindo como se fossem capangas daqueles velhos coronéis nordestinos, logo mais não teremos mais Legislativo ou Executivo.

Os juízes, que cada vez mais se intrometem na competência dos outros poderes, vão mandar em tudo.

E, como já estão tentando fazer, rasgarão de vez a Constituição.

Não sei quem, mas alguém tem de colocar essa turminha em seu devido lugar. 

Postado no blog Crônicas do Motta em 22/01/2014


21 janeiro 2014

É isto que acontece quando a mídia tenta manipular e desinformar : Mainardi paga mico na Globo News





Magazine Luiza detona Mainardi



Fernando Brito, no blog Tijolaço:

A empresária Luiza Trajano, dona do Magazine Luiza, com aquele seu ar de tia que veio do cabeleireiro, deu um “sabão” histórico no pretensioso Diogo "Veja" Mainardi no programa Manhattan Connection.

Aliás, nele e em Caio Blinder também.

Desmontou a história da crise no varejo, na inadimplência, do “acabou a bolha”. 

“Como acabou a bolha? Bolha são vinte e três milhões de pessoas que moram com o sogro, com a sogra…” 

Luiza não faz caras e bocas a la Miriam Leitão e estuda economia na frente da registradora e do balcão. 

Embora seja uma das mais antigas praticantes do e-commerce - desde os anos 90 – sua loja não teve dúvida em desativar o site por um dia e promover um “rolezão” de compras em toda a rede, com o maior sucesso. 

Enquanto isso, o Mainardi fica deslumbrado com o “drone” de entregas da Amazon. 

Bem se vê que o país dele é por lá. 

Assista o vídeo sensacional:



tomou

Serasa confirma Luiza e desmoraliza Mainardi: inadimplência cai em 2013, depois de 14 anos

Fernando Brito  no Tijolaço 21 de janeiro de 2014

Da Folha, agora há pouco:



Foi o que Luiza Trajano falou ontem ao pretensioso Diogo Mainardi, que repetia a cantilena – de toda a mídia – de que a inadimplência estaria crescendo. 
Mainardi invocava o Serasa para desmentir Luiza.

E o Serasa, hoje, deixa Mainardi pendurado em seu papel ridículo

“A queda de 2,0% na inadimplência dos consumidores em 2013 foi puxada pelo recuo de 9,4% no volume de cheques devolvidos (2ª devolução por falta de fundos) e pela queda de 4,8% na inadimplência das dívidas não bancárias (cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços como telefonia e fornecimento de energia elétrica, água, etc.). Já junto aos bancos, a inadimplência em 2013 subiu 0,6%, ao passo que o ano passado também presenciou uma alta de 5,8% no volume de títulos protestados.”
  
Mainardi, como se sabe, emigrou do Brasil e de seu blog na Veja, diz ele que para fugir do dilmismo.

Luiza Trajano disse que ia mandar um e-mail para Mainardi, para ele se convencer de que estava errado.

Não precisa, basta mandar um link.

Já deixo aqui prontinho para a dona Luiza.



20 janeiro 2014

Os sinos dobram por todos nós, Miruna


miruna

Miguel do Rosário

A carta abaixo, de Miruna Genoíno, é um testemunho lindíssimo sobre solidariedade e sobre o bem que ela pode trazer ao mundo. É um documento de inocência ainda mais emocionante por vir de um espírito tão atormentado, de uma filha que vê o pai sendo massacrado por uma mídia e um Judiciário corrompidos pelos interesses baixos da política. Por um momento, todos fomos Miruna, porque – como no poema de John Donne – nenhum homem é uma ilha.

“Cada homem é uma partícula de um continente, uma parte da terra. Se um torrão desta terra é arrastado para o mar, o continente fica diminuído, como se fosse a casa de teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano”.

Por isso, Miruna, não precisa agradecer. Não pergunte por quem os sinam dobram. Eles não dobram apenas para seu pai, o nobre Genoíno, nem por todos os heróis que lutaram na ditadura e na democracia contra as arbitrariedades. Os sinos dobram por ti, Miruna. Os sinos dobram por todos nós. Essa pequena vitória de sua família, é também nossa.

A VIDA E SUAS ESCOLHAS

Será que eu teria tido coragem de lutar como eles lutaram?

Alcançamos o valor da multa em dez dias de campanha familiar. Essa é uma vitória que tem um significado enorme dentro de nossa incansável luta em busca de verdadeira justiça para José Genoino.

por Miruna Kayano Genoino, especial para Rede Brasil Atual publicado 20/01/2014 

Brasília – Quando eu tinha por volta de 13, 14 anos, comecei a ter consciência de tudo o que meu pai e minha mãe tinham feito na época da ditadura. Abriram mão de família, amigos, conforto, estabilidade e entraram em clandestinidade, fuga, medo, prisão e tortura porque não duvidaram um minuto sobre de que lado estavam: o de quem lutava pela liberdade para todos. Apesar de ser para mim claro o fato de que tinham lutado por algo sem dúvida muito importante, sempre me vinha à mente uma pergunta: será que se eu vivesse naquela época, teria tido coragem de fazer tudo isso? Será que eu teria tido essa força? Será?

Hoje percebo que em alguns momentos da vida não temos escolha quanto a tomar essa ou aquela decisão, quando tudo em que acreditamos está em risco, seja, como naquela época, a liberdade, seja, como agora, a justiça para uma pessoa honesta, como meu amado pai, José Genoino Neto. Ao longo de mais de oito anos de martírio e sofrimento, foram muitas as situações de desespero, de angústia e de muita, muita solidão.

E por isso, quando de repente percebemos pequenos espaços de luz e força que vão se abrindo e se construindo por meio de atitudes generosas de tantas pessoas, o alívio e a emoção são sentimentos que ocupam totalmente tudo aquilo que pensamos e vemos acontecer nessa trilha tão difícil que temos percorrido nos últimos tempos.

Gostaria de mencionar uma grande amiga que no dia 15 de novembro levou meus filhos para passear, dispondo de seu tempo para nos ajudar a lidar com toda a perseguição que estávamos sofrendo na casa sitiada pela mídia. Com seu pequeno gesto, poupou duas crianças de 7 e de 5 anos, de presenciar o momento em que o avô saiu de casa para ser preso injustamente.

Aquele gesto, de dar carinho e acolhimento para meus filhos, quando eu apenas podia ser filha, e não mãe, vai marcar sempre minha vida e meu coração, porque mostra que mesmo em meio a tanta desgraça, sempre existe o lado da humanidade pura, bondosa, generosa, e capaz de acolher, verdadeiramente.

Esse gesto pequeno, individual, pode ser comparado ao que estamos vivendo agora, com a multa imposta a meu pai em decorrência de sua condenação injusta. No primeiro momento de desespero, pelo valor solicitado, tão enormemente distante de nossas possibilidades, já surgia um primeiro site que se dispôs a unir muita gente e assim iniciar uma primeira arrecadação para meu pai. E ainda que aquele site não tenha seguido em frente por questões técnicas, acredito profundamente que foi uma ação que nos deu força para prepararmos o segundo site que possibilitou a arrecadação do valor total da multa.

Foram muitas doações, muitas. Pessoas que dedicaram parte de seu tempo para enviar a nós R$ 10, R$ 20, R$ 50, R$ 100 reais, às vezes mais, R$ 1.000, R$ 5.000… e mensagens, muitas mensagens, de carinho e solidariedade.

Aposentados, desempregados, professores, advogados, secretárias, jornalistas, dentistas, bordadeiras, gente, muita gente, que quis de alguma maneira, mostrar que estão conosco, que sabem que apenas assim poderíamos pagar esta enorme multa, porque José Genoino nunca acumulou riqueza material, nunca, ainda que alguns tenham tido coragem de condená-lo por corrupção. Sua riqueza é apenas de ideias, de sonhos, de esperança, de verdade e de justiça – que um dia, de alguma forma, acreditamos que chegará.

Essa campanha foi criada pela mulher e pelos filhos de José Genoino. Nós mesmos elaboramos e escrevemos cada uma das palavras que aparecem no site. Nós mesmos mandamos os e-mails a amigos e familiares contando sobre o início desse pedido de ajuda. Nós mesmos fomos em busca de tentar compreender e organizar toda a burocracia necessária para que tal arrecadação desse certo.

E com a ajuda de amigos queridos, que nunca deixaremos de agradecer, fomos lendo os e-mails um a um, cadastrando cada pessoa, respondendo cada mensagem, ainda que, pela forma familiar de ação, esteja acontecendo em uma velocidade nem sempre compreendida por um mundo sempre recheado de grandes grupos administrando eficazmente grandes gestões e situações. Nossa resposta não é automática, mas sim manual, e foi feita por outras tantas pessoas especiais que também dedicaram seu tempo e sua alma, para permitir que a campanha funcionasse.

Alcançamos o valor da multa em dez dias de campanha familiar. Essa é uma vitória que tem um significado enorme dentro de nossa incansável luta em busca de verdadeira justiça para José Genoino. Em nome dele, que está impedido de falar publicamente, precisamos agradecer com toda a intensidade possível a todas essas pessoas que tornaram esse momento de vitória possível.

A você, que contribuiu. A você que divulgou o site. A você que respondeu os emails. A você que nos informou. A você que escreveu honestamente sobre nós. A você que são tantos vocês, nosso agradecimento por não terem tido nenhuma dúvida de que sim, quando chega o momento de dificuldade, vocês são daquele grupo de pessoas que têm coragem de lutar por algo que é verdadeiro e no qual acreditam. De verdade.

Obrigado, sempre.

Miruna Genoino, em nome da família Genoino

Brasília, 19 de janeiro de 2014.

(Observação: Em breve divulgaremos o total arrecadado e as resoluções práticas quanto a possíveis excedentes.)

Nota da Redação: Nos últimos dez dias, Miruna Kayano Genoino, junto com os irmãos Ronan e Mariana, a mãe Rioco Kayano e um grupo de apoiadores, mantiveram uma mobilização para arrecadar recursos e poder pagar dentro do prazo, que expira nesta segunda (20), a multa de R$ 667 mil determinada pelo Supremo Tribunal Federal, como parte da condenação na Ação Penal 470. A defesa do ex-deputado considerou o valor injustificável e passível de contestação. A família, com apoio de amigos e do Partido dos Trabalhadores, conseguiu alcançar no último sábado o valor necessário para cumprir a determinação. O feito tem forte significado político, ao demonstrar o representativo contingente de pessoas que contestam a forma e o conteúdo do julgamento STF. No ano passado, quase 22 mil pessoas haviam assinado a carta de solidariedade intitulada Estamos Aqui, com o mesmo objetivo. E na noite deste domingo Miruna enviou à RBA este artigo-agradecimento.


Postado no blog Tijolaço em 20/01/2014




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