19 janeiro 2014

A masculinidade está em crise?




Flávio Bastos

"Se um dia tiver que escolher entre o mundo e o amor, lembre-se: se escolher o mundo ficará sem o amor, mas se escolher o amor com ele você conquistará o mundo". (Albert Einstein)

Todos os dicionários definem a masculinidade como sendo a virilidade uma qualidade do homem, ou seja, que dá ideia de força e energia própria do homem másculo, viril. No entanto, nos últimos "velozes" anos, esta condição herdada dos ancestrais, que define o perfil masculino na espécie humana, parece passar por uma fase de alteração do paradigma comportamental que acompanha há milênios o indivíduo masculino.

O homem estaria passando por uma lenta mutação genética do gênero masculino, com efeito direto na sua química hormonal? Creio não ser esta a situação que envolve o homem do século XXI, mas sim, uma alteração gradual na forma de perceber, a partir de si mesmo, o mundo e a sua realidade circundante. É um novo olhar, onde a sensibilidade começa a substituir a antiga imagem do indivíduo masculino forte, agressivo, preparado para a luta, porém, insensível e brutalizado.

A mudança estaria ocorrendo na faculdade de captar ou transmitir impressões capazes de causar emoções. Fato que está, lentamente, aproximando o masculino do feminino, isto é, o homem da mulher. Quer dizer: a partir do milênio em curso, a fase de transmutação do planeta Terra dá início à Nova Era, também denominada por estudiosos, holísticos e espiritualistas, de Era de Cristal ou Era da Sensibilidade.

Portanto, o homem começa a desenvolver e a manifestar uma sensibilidade que era própria do sexo feminino e a sua longa história de experiência maternal. E a energia do amor e do bem comum, que acompanha a alteração energética do planeta, começa a fazer efeito no indivíduo que, desde tempos imemoriais, apresenta bloqueios na sua forma de expressar sentimentos e emoções.

Na esteira da Nova Era, o homem moderno está fazendo uma nova leitura de sua inserção no universo, ou seja, a partir de um olhar mais profundo sobre si mesmo, o outrem e o mundo que o rodeia, ele está percebendo a inutilidade da violência implícita, das guerras e da brutalidade como ferramentas de conquista pessoal e de evolução da espécie humana.

Nesta direção, lembremos a mensagem do grande educador Paulo Freire quando registrou em um de seus livros "que a carícia nasce do centro e confere repouso, integração e confiança. Como a ternura, a carícia exige total altruísmo, respeito e renúncia a qualquer outra intenção que não seja a da experiência de querer bem e amar". Pois a ternura, o carinho e outros atributos da pessoa sensível, amorosa, começa a fazer parte do dia a dia do indivíduo do sexo masculino, embora de forma ainda um tanto tímida ou pontual nas relações afetivas, e menos ainda nas relações sociais ou profissionais.

Tal aprendizado passa pela prática do "ato de dar" da mulher: dar carinho, afeto e amor ao filho que gerou em seu ventre. Experiência que o homem, até então, percebia como "ato de receber" da mulher-mãe, esposa ou amante. Nesta caminhada, o homem está aprendendo com o sexo oposto a também dar carinho, amor, a acolher, proteger, tornar-se menos egoísta e a abrir-se para a vida.

O homem moderno não está em crise de identidade sexual, mas aprendendo a conectar-se de uma forma direta com a própria essência, a alma em sintonia com a energia vital. Aprendendo a compartilhar a vida de uma forma mais sensível e honesta com o semelhante, e menos autoafirmativa no sentido de provar a sua masculinidade ou poder, a partir do núcleo familiar.

A alteração do padrão mental e comportamental do indivíduo masculino, vem a reboque da Era da Sensibilidade. É um processo inexorável que independe de sua vontade, pois envolve dimensões ainda desconhecidas do ser humano. Resta ao homem deixar-se orientar pelo foco de luz da Nova Era de transformações para o planeta Terra e a sua gente.

A fase que experenciamos neste alvorecer de milênio nos estimula ao despertar de consciência interior, da lucidez diante de muitas situações da vida, de rever com inteligência e sabedoria o poder de acreditar, de transformar realidades e de perceber o verdadeiro sentido da existência.

A era do predomínio de sentimentos de amor aproxima o homem da luz emitida pelo sentimento de compaixão e de ternura da mulher. É o renascimento do novo homem através do simbolismo da mãe-mulher, o que aproxima os polos humanos da criação divina e restabelece o equilíbrio natural e a harmonia no planeta Terra.

Situação que contemplaria as expectativas de Charles Chaplin, uma das sensibilidades masculinas mais expoentes do século XX: "Pensamos demasiadamente. Sentimos muito pouco. Necessitamos mais de humildade do que máquinas. Mais de bondade e ternura que de inteligência. Sem isso a vida se tornará violenta e tudo se perderá".

Postado no site Somos Todos Um

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