11 março 2014

Vamos à luta sem ferir ninguém





Bernardino Nilton Nascimento


A nossa cultura exalta a ambição e a luta; o espírito de competição está presente em toda parte do planeta e em todos os seres humanos. Cada um se mantém em plena atividade buscando realizações e oferece um tipo de sentimento de êxito do dever cumprido.

Porém, não podemos nos enaltecer dessas lutas que a vida nos impõe, que combinam com o fracasso e derrota de outrem, no qual fizemos parte. Essa cultura de competições pode ser considerada forte, mas sem sentido moral de uma vitória, onde os fracassos de alguns foram o trampolim para o sucesso de outros.

Não quero denegrir nenhum tipo de competição, acredito que elas existem para estimular a todos e buscar forças que estão escondidas dentro de cada um de nós. Mas essa força tem que vir com o sabor das vitórias, sem olhar as derrotas alheias como fracassados fossem nossos oponentes. Em uma disputa, todos são vitoriosos em conhecimento e aprimoramento. O chamado fracasso de hoje pode e deve se tornar a vitória de amanhã. Cabe aos que se sentem derrotados estimular sua força interior, analisar os erros e seguir em frente, que a vitória com certeza chegará.

Mas como a filosofia da vida está enraizada na insegurança e no medo do fracasso, implica-se que todas as outras pessoas são inimigas potenciais e glorifica-se a autoafirmação truculenta, a "dureza", em vez da capacidade de colaborar para o bem comum das pessoas de todas as classes sociais, religiosas e políticas. 

Vencendo o medo das derrotas e dominando sua ansiedade, tornando-se uma pessoa equilibrada, certamente vai ser admirado; isso já basta para se sentir vitorioso.

Não deixe a idade avançar para conhecer seus aprimoramentos e lições; quando chegar a este ponto, só vai restar ter maior convicção sobre a crença pessoal e as demonstrações. Que tal não esperar que os anos ditem a hora? Todos nós precisamos de uma concordância universal de como é importante desejar a felicidade do próximo para sustentabilidade da vida no planeta.

Fazer um planeta sustentável é acreditar que podemos ser sustentáveis uns com os outros, lutar pela vida sem ferir o próximo.

Por muito valiosas e úteis que possam ser a percepção e a compreensão, elas devem estar presentes em todas as idades. Não esperem para sentir que sejamos cruéis em determinado momentos, não esperem que as lembranças batam na consciência e mostrem os filmes das atitudes e ações ruins que feriram alguém. 

Com base nas observações no meu eu interior, acredito que estamos um pouco longe da média que buscamos alcançar de uma boa qualidade de vida. Compreendo os motivos e propósitos de uma competição, não com o objetivo de ver o derrotado, mas de ajudar o maior número de pessoas a sentir o sabor da vitória.

Muitos não sabem nada a respeito da natureza humana e que os mais simples dos seres são capazes de ter a compreensão do que realmente vale a pena viver. Lutar pela sua sobrevivência com dignidade ou partir para uma batalha de poder, onde se fere própria alma.

Acredito que cada um de nós deveria comemorar seu nascimento quando realmente se conhecesse melhor, e não mais desejássemos ferir alguém, sejam quais forem os motivos. Neste dia é que realmente começamos a nascer para vida.

Depois de travar uma batalha interna é que vamos expulsar os maus pensamentos e em seguida começar a enxergar a verdadeira vitória, reconhecendo que podemos lutar por uma vida melhor sem ferir o próximo.

Está na base lógica da alma que o amor resiste a tudo. Por todas as batalhas sangrentas, por todas as injustiças, por todas as crueldades, por todas as desigualdades sociais, o amor ultrapassou a compreensão humana e é a única esperança de um mundo melhor para todos.

Sempre vivemos com grandes descobertas, descobertas essas que acarretaram tremendas transformações em nossa vida material. Porém, ninguém, por mais que estudasse, conseguiu chegar perto do que é o amor em sua plenitude. Um sentimento muito além do nosso tempo, muito além das nossas vidas.

Podemos, de algum modo, ser aquilo que será percebido pela outra pessoa, isso depende do grau que queremos ser vistos. Porém, não podemos esquecer que todas as lembranças são nosso próprio retrato.

Então, o grau em que podemos criar, em relação a facilitar o desenvolvimento do próximo, não será sacrifício de uma luta, e sim, de um conjunto de boas atitudes, de boas ações e de iluminadas energias. É o retrato que vamos levar para além da vida!


Postado no site Somos Todos Um


Nenhum comentário :

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
"