07 maio 2014

Imprensa e High Society : "eu sou cara ; gasto muito "



Davis Sena Filho


As relações dos jornalistas empregados das grandes corporações midiáticas com o mundo empresarial e com os caciques políticos do campo conservador são antigas e muitas delas promíscuas. A verdade é que muitos jornalistas se transformam em porta-vozes de grandes negócios e, evidentemente, defendem e repercutem nas diferentes mídias os interesses e os pensamentos de seus patrões, que são os magnatas bilionários da imprensa de mercado.

Quando a madame Ticiana Villas Boas, apresentadora do Jornal da Band, concede uma entrevista e começar a deitar falação sobre seu mundo farto e luxuoso, ela apenas reflete o que acontece com muitos profissionais de mídias que mantêm relações com homens poderosos os quais se tornam seus aliados de interesses, bem como muitos deles vão mais além quando uma deles resolve casar com uma jornalista, a exemplo de Ticiana.

A candidata a madame, ora deslumbrada, cometeu uma indiscrição e "infeliz" gafe, e com isso mostrou, irrefragavelmente, que grande parte dos jornalistas da imprensa-empresa são completamente divorciados do mundo real e alienados sobre as condições sociais do povo brasileiro, da luta politica e das questões econômicas e financeiras que norteiam o Brasil, no que diz respeito a programas de Governo e projetos de País.

Porém, não há como ser de outra forma. Os jornalistas, como muitos juízes e médicos, somente para exemplificar, geralmente são filhos das classes dominantes, médias e médias altas. São pequenos burgueses e realmente não se preocupam em conhecer as realidades do País e muitos menos as dores e dilemas que incomodam e fazem seu povo sofrer. Pelo contrário, levam para seus ofícios todos seus preconceitos e valores aprendidos em seus lares, em casa e ensinados pelos seus pais e grupos sociais que integram desde suas infâncias.

São pessoas geralmente urbanas, que não conhecem o Brasil e foram criados para acreditar que o Brasil não presta, enquanto consideram algumas capitais europeias e norte-americanas como suas referências e as cortes a serem admiradas, como se eles vivessem ainda nos tempos do Brasil colônia e por isso não conseguem, de forma alguma, perceber que este País é o lar de uma Nação poderosa, multifacetada, multirracial e cultural, bem como dona de um PIB que a coloca em sétimo lugar no mundo, sendo que em um prazo de dez anos ou menos o Brasil vai ser a quinta potência econômica do planeta.

Contudo, todos esses fatores não importam para gente como a Ticiana Villas Boas. O complexo de vira-lata, o desprezo pelo Brasil e seu povo, aprendido e ensinado em seus lares, escolas, clubes, associações e grupos sociais diversificados, mas pertencentes à burguesia, os impedem de enxergar, de forma transparente e clara, as realidades brasileiras, além de se colocarem contra os interesses do Brasil e a favor das classes privilegiadas e dos países ditos desenvolvidos, que controlam o sistema capitalista em dimensão global.

Existem muitos jornalistas — homens e mulheres — que, tal qual à Ticiana, são membros integrantes das oligarquias e como tais se comportam, só que de forma discreta. Engana-se aquele que pensa que os meios de comunicação privados estão a serviço da população e em defesa da coisa e da causa pública. Quem pensa assim não passa de um tolo, ou, obviamente, trata-se de uma pessoa que ideologicamente e politicamente conservadora e, por conseguinte, comunga com o que a imprensa de negócios privados pensa e quer para o País e a sociedade.

Entretanto, grande parcela do povo brasileiro não é cúmplice dos desejos dos magnatas bilionários de imprensa, da classe rica em geral e da direita partidária, e se recusa a apoiar o que os burgueses e os pequenos burgueses (classe média) consideram como prioridade para si e para os outros, quando um homem ou mulher do povo sabe que sua vida melhorou, e muito, nos últimos 12 anos, com a ascensão de governantes trabalhistas.

A verdade é que os jornalistas da chamada grande imprensa são mancomunados com os interesses patronais e por isso é praticamente impossível para essa categoria desunida e pseudamente intelectualizada, com raras exceções, realizar, por exemplo, um movimento grevista organizado, reivindicatório e voltado à defesa do ofício de jornalista, uma das profissões mais difíceis de exercer.

Ofício laboral de caráter tenso por causa dos baixos salários da grande maioria dos jornalistas, das más condições de trabalho, de chefes autoritários, do elitismo social dos que controlam as redações com mão de ferro e, principalmente, da cumplicidade dos que receberam espaço e por causa disso vendem suas almas àqueles que deveriam ser combatidos, a exemplo de seus patrões — os megaempresários oligarcas de mídias, que lutam, ferozmente e historicamente, contra o desenvolvimento do Brasil e a emancipação do povo brasileiro.

Chefetes vaidosos, ignorantes e intolerantes, que transformam as redações em sucursais do inferno para se darem bem na vida, sem se preocuparem com seus colegas e com o que determinam em reuniões de pauta, que se um leitor, ouvinte e telespectador tivesse a oportunidade de participar de uma delas sairia de tal encontro de jornalistas com os olhos esbugalhados, os pelos arrepiados e os cabelos em pé, a sentir calafrios e a perceber que realmente a imprensa burguesa e alienígena é golpista e não tem o mínimo compromisso com o Brasil e seu povo.

Só os ingênuos ou os de má-fé acreditam integralmente no que a imprensa-empresa repercute. Somente os completamente alienados ou os que politicamente têm interesses inconfessáveis podem acreditar e ter fé em uma pessoa como a Ticiana Villas Boas, uma magnata que ocupa a bancada de um jornal de âmbito nacional sem saber o que acontece em volta de si, bem como no Brasil e no mundo sempre em conflito.

Alienação e deslumbramento que demonstram, à toda prova, que existem muitos jornalistas que não têm a mínima condição de dar pitaco ou fazer críticas açodadas, sem, no entanto, não ter conhecimento algum sobre os desejos e os anseios de uma sociedade, como a brasileira, que luta para ter uma vida de melhor qualidade, já que vítima e alvo de uma burguesia perversa, que escravizou seres humanos por quase 400 anos, além de negar-lhes o acesso à terra, ao emprego e à esperança de viver com respeito e dignidade.

E é essa imprensa mercantilista que faz a vez dos partidos políticos, com o apoio inequívoco de promotores, procuradores e juízes, aliados do campo político ocupado pela direita e atores importantes de um processo draconiano, que pune seus adversários e inimigos, mas não efetiva as mesmas medidas para muitos de seus aliados políticos e empresariais, que cometeram toda sorte de crimes, mas mesmo assim considerados cidadãos inimputáveis, porque "amigos" de uma imprensa corrupta, que tem lado e de um sistema judicial capataz e feitor da Casa Grande.

A madame Ticiana Villas Boas não é a única profissional de imprensa a girar pelos salões do high society. Existem muitos que desfilam nesses pagos ou que fingem e desejam ardentemente frequentá-los, como se isso fosse a coisa mais importante do mundo, quando a verdade não é.

Volto a repetir: a imensa maioria dos jornalistas ganha mal, vive em um ambiente ridiculamente vaidoso e cruelmente competitivo, é explorada com uma carga horária por demais longa, alimenta-se mal, sofre pressões inerentes ao ofício, bem como se torna muitas vezes alvo de bullying de chefetes mequetrefes e rastaqueras, que não têm a mínima noção de civilidade, porque, indubitavelmente, defende seu espaço e seus interesses como um cão esfomeado defende seu osso.

Ticiana é apenas mais uma. A moça nem sabe o que diz e se bobear não está nem aí para o jornalismo e o que pensam dela, pois dá a impressão que apenas ocupa espaço na Band por vaidade. Afinal, seu marido, Joesley Batista, é o dono da Friboi. A direita e seus órgãos de imprensa espalhavam boatos, calhordas e mentirosos, que tal empresa pertencia ao Lulinha, filho do ex-presidente trabalhista Luiz Inácio Lula da Silva.

E os coxinhas de classe média, reacionários, desinformados e ignorantes, ficavam a espalhar a "notícia" cafajeste nas redes sociais... Assim são as coisas. Nada como um dia após o outro. O marido da Ticiana, para quem não sabe, é ainda dono da Neutrox, Seara e dos sabonetes Francis, e seus produtos são objetos de publicidade na Rede Bandeirantes. Bingo!

Essas relações imprensa-empresários-políticos são muito comuns no meio jornalístico. Existem inúmeros jornalistas da considerada mídia tradicional (Folha, Estadão, O Globo, Zero Hora, Correio Braziliense, Veja, Época, Redes Globo, Band, SBT, CBN, Jovem Pan etc.) envolvidos até a medula com o projeto hegemônico dos grandes empresários, dos interesses de governos estrangeiros (EUA/UE) e seus patrões controladores de monopólios midiáticos e golpistas de carteirinha desde os tempos do estadista Getúlio Vargas.

A madame Ticiana Villas Boas é apenas mais uma, e deve ter deixado com muita raiva o mundo burguês, porque ela foi indiscreta e ostentou a riqueza dos ricos e dos muito ricos. A classe alta não gosta disso, pois gasta seus bilhões em silêncio, pois só abre a boca para impedir que as riquezas e rendas sejam distribuídas. Ticiana não somente ostentou a riqueza dela. Ela não compreendeu as regras da "elite" e mostrou o quanto as classes dominantes são fúteis, descompromissadas e alienadas. E completou: "Eu sou cara; gasto muito". Que beleza!

Veja o vídeo  : 




Postado no Brasil247 em 07/05/2014


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