18 julho 2014

A paciência da natureza



Maria Cristina Tanajura

Enquanto nós, seres humanos, vivemos correndo contra o tempo, sem nos darmos conta do que gostaríamos de realizar um dia, a Natureza continua no seu ritmo, fazendo tudo de forma extremamente paciente.

Experiência é plantar uma semente e esperar que ela floresça. No seu tempo, que nunca sabemos qual é, um broto verde começa a despontar e há de se desenvolver se receber os nutrientes necessários, e será no tempo certo.

Somos parte da Natureza, porém, não gostamos de esperar com paciência o desenrolar da própria vida. Mas o certo é que as mudanças ocorrem no seu devido tempo, mesmo que lutemos para apressá-las o mais possível.

Se estudarmos nossa história, veremos que muito já mudamos, ao longo de todo esse tempo. Crenças erradas foram derrubadas e pelo menos as leis que hoje temos são muito mais justas para todos. Viver de conformidade com elas é uma outra questão... mas na hora certa, tudo há de se ajustar e melhorar - acredito.

O sol não nasce antes, nem depois do seu horário costumeiro e assim é a lua, são as marés, as estações. O homem, com seu livre-arbítrio, gostaria de imprimir um novo ritmo a tudo, mas não consegue. 

Seria muito sábio que olhássemos mais em torno de nós e tentássemos também manter um ritmo harmonioso em nossas vidas.

Neste corre-corre, vamos aonde? Como estarmos conscientes de cada instante, seguindo os conselhos dos sábios de todos os tempos, se não podemos estar centrados, enquanto caminhamos neste frenesi barulhento em que se têm transformado os nossos dias?

Qual será a qualidade de nossas ações, se mal temos tempo de refletir sobre elas?

Como perceber a densidade sutil e silenciosa que nos envolve sempre, se não nos damos condição de entrar em contato com ela?

E nesta loucura de vida, como manter a serenidade e a paz, tão necessárias para que nos sintamos confortáveis conosco mesmos?

Será que um pouco menos de atividade não nos traria mais lucro? Talvez não monetário, mas no tocante à nossa qualidade de vida, à nossa paz interior?

Há uma passagem na Bíblia que afirma haverem muitas moradas na casa de Nosso Pai. Certamente, pois somos seres com diferentes níveis de consciência e, por sintonia, merecedores de abrigos diferentes depois da passagem para o mundo espiritual.

Pensando bem, onde será a casa de Nosso Pai, se não em nosso próprio ser, em nosso íntimo? Sempre estamos lá, mas talvez ainda não tenhamos percebido isso. Como a tartaruga, carregaremos sempre nossa casa, pra onde formos, aqui, ou em qualquer outro plano deste imenso e inesgotável Universo.

Precisamos aprender a ser pacientes. Com a gente mesmo, ao sentirmos que ainda não alcançamos o patamar de perfeição que almejamos e principalmente com o próximo.

Todos chegaremos na Paz e no Amor um dia, mas a caminhada é diferente para cada ser. O ritmo também.

Temos, muitas vezes, a vontade de desacreditar de que um dia a Nova Ordem será instalada em nosso planeta, pois as dificuldades se mostram tantas... 

Mas não devemos pensar assim. Uma semente que ainda se encontra escondida sob a terra não está morta. Está ganhando força para surgir forte e cheia de vida. 

Será também dessa forma que as mudanças emergirão da aparente confusão reinante. Precisamos continuar sonhando e trabalhando para que aconteça, pois todos nós dependemos desta confiança no amanhã!

Lembrei-me da música linda e inspirada do saudoso Gonzaguinha - Semente do Amanhã - que transcrevo abaixo:

Ontem um menino que brincava me falou
Que hoje é semente do amanhã...
Para não ter medo que este tempo vai passar...
Não se desespere não, nem pare de sonhar.
Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs...
Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar!
Fé na vida, fé no homem, fé no que virá!
Nós podemos tudo,
Nós podemos mais,
Vamos lá fazer o que será!

Postado no site Somos Todos Um





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