27 agosto 2014

Alcançando a Paz




Paulo Tavarez

Quem não quer viver em paz? Todos nós, isso faz parte do senso comum, ninguém se compraz com as tensões ou pressões desta realidade, ninguém quer viver preocupado, ansioso, muito menos desanimado e melancólico.

A paz é o objeto de desejo natural do ser humano, todas as nossas ações se articulam na direção dessa conquista, por mais distintos que sejam os caminhos de cada um, não podemos negar que o centro de convergência é o mesmo. Assim como todos os caminhos conduzem a Roma, todas as experiências são motivadas pelo desejo de estarmos em paz, a paz está no centro dessas buscas, mesmo que não tenhamos consciência disto.

O grande problema é pensarmos a paz como um troféu, alguma premiação justa para aqueles que foram heróis e enfrentaram os desafios impostos pela Vida; pensando assim, ela se transforma em algo abstrato, difícil, como se fizesse parte de uma missão, como se para conseguirmos alcançá-la, tal qual Jasão, precisássemos encontrar o Velo de Ouro, pois só assim poderíamos assumir o trono - na realidade, é um mito que entende que só assim tomaríamos posse de nós mesmos.

Não conseguimos ainda entender que estamos errados, que o arquétipo do herói que nos impulsiona apenas atrapalha o processo, não percebemos que a vida não é uma luta, a vida é entrega, deveria transcorrer através de uma rendição incondicional ao Universo; tudo que precisa ser feito pelo nosso melhor já está em curso, estamos aqui apenas como testemunhas. Lembre-se do que Cristo disse à Herodes: "Não nasci nem vim a esse mundo senão para dar testemunho da Verdade".

É isso, estamos aqui apenas para testemunhar a ação que se desenvolve em prol do nosso avanço, o problema é que lutamos contra esse mecanismo educativo, queremos ser heróis, queremos combater as injunções cósmicas que nos conduzem e o resultado é tenso e sofrido.

A paz jamais será conquistada pensando dessa triste forma; não existe tal prêmio, mesmo que consigamos conquistar o mundo, jamais estaremos em paz, mesmo que busquemos em todos os cantos do mundo um ambiente adequado para que ela se manifeste, isso não irá ocorrer.

O Beatle John Lennon costumava dizer: "Estive em todos os lugares do mundo e só me encontrei em mim mesmo", é isso, a paz está dentro de seu próprio ser.

Não existe um lugar que possa deixá-lo em paz, nem aquele mais paradisíaco, isso é ilusão; pessoas perdem a vida e gastam fortunas em pacotes turísticos, aventuras, experiências vãs e não entendem a ineficiência desse caminho, aliás, esse é o grande equívoco, pois a paz não é uma conquista, uma graduação.

Gandhi nos ensina que não há caminho para a paz, a paz é o caminho e não poderia ser mais claro, querer mudar o mundo sem mudar a sua visão para uma visão mais pacifista é um equívoco. 

O que nos impede de estarmos em paz? Muitas coisas, mas todas elas encontram-se nos refolhos da alma, são padrões, condicionamentos e modelos construídos pelo nosso programa de crenças.

Será preciso um encontro com a própria essência, olhar para si, ficar mais íntimo do seu mundo interior, uma vez consciente de tudo isso, começar uma reprogramação, esvaziar-se de todo esse monturo que você acabou ajuntando, fazendo novas afirmações e, principalmente, aplicando-se o auto perdão.

As preocupações e ansiedades são filhas dos nossos desejos, os desejos existem por existirem as dores, as dores existem por culpa das crenças, as crenças se instalam em função das experiências. Essa aritmética parece difícil, mas convido o leitor a fazer uma profunda reflexão em torno dela. 

Estamos bastante crescidinhos para continuarmos adotando a velha postura dualista, entendendo o mundo externo como algo separado, como um objeto; tudo isso é resultado dos condicionamentos cartesianos. Não há mais razões para entender que a nossa realização se dará através da posse, da conquista, do domínio, enfim, de coisas que não vibram na frequência da nossa própria consciência.

O genial Gilberto Gil está errado quando diz "a paz invadiu o meu coração", Gil pode tudo, é um poeta extraordinário, mas paz não pode invadir nada, não pode porque simplesmente já está lá, nós é que não conseguimos percebê-la, justamente por não nos conhecermos.




Paulo Tavarez   Criador de uma terapêutica chamada PSICAPOMETRIA. Com abordagem espiritual, emocional, energética, cognitiva e psicológica. Pedagogo, Palestrante, Psicapômetra, Instrutor de Yoga, Pesquisador da Dinâmica da Consciência e Escritor.




Postado no site Somos Todos Um










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