25 outubro 2014

O Brasil não merece o Aécio




Marino Boeira


Entra debate e sai debate e o Aécio Neves repete sempre o mesmo mantra: corrupção da Petrobrás. Proposta de governo, que é bom, nada. No máximo, se compromete a continuar as políticas sociais do PT, melhorando no que for possível. Nesse caso, se é para continuar estas políticas, melhor deixar nas mãos de quem criou os projetos e vem os administrando com sucesso até agora, o PT.

O discurso moralista, vindo do representante de um partido com enorme telhado de vidro nessa área, visa comover a classe média, atormentada pelos seus problemas financeiros e bombardeada diariamente pela mídia com as notícias de que tem gente nas altas esferas da vida política, vivendo do bom e do melhor sem trabalhar

Como esta classe média não tem o espírito irônico de um Millor Fernandes que escreveu uma vez – “ou nos locupletamos todos, ou instale-se a moralidade no país”- ela só pode se revoltar com os corruptos da vida nacional. Engraçado é que contra os corruptores, esta classe média não tem o mesmo rancor. Talvez até porque – com alguma sabedoria – ela já se deu conta que faz parte da forma de vida da elite, os processos de corrupção.

As denúncias sobre corrupção no governo no Brasil são tão antigas como a história do País e feliz ou infelizmente, não são uma prerrogativa nossa. A corrupção existe no mundo inteiro, independentemente do sistema político vigente. Da democracia formal dos americanos aos mais ditatoriais sistemas políticos das monarquias árabes, a corrupção está sempre presente, facilitando certos negócios e tornando mais ricos os que já são ricos.

Parafraseando Carl Von Clausewitz, que disse que “a guerra era a política feita por outros meios”. podemos dizer que a corrupção é a forma de fazer negócios dentro do capitalismo por outros meios que não os convencionais. Seria o lado B do capitalismo.

Ela vai desde o pequeno negociante que rouba no peso, do distribuidor de leite que põe uréia no seu produto, até os grandes negócios como da Petrobrás, do metrô de São Paulo e das privatizações das teles, isso no caso brasileiro. Caso queiramos uma dimensão planetária, podemos pensar na mentira divulgada pelo governo Bush sobre a existência de armas atômicas no Iraque, o que permitiu a destruição de Bagdá e sua posterior reconstrução,tudo a cargo dos mesmos grupos empresarias americanos ligados ao Partido Republicano.

Foi corrupção bancada em milhões de dólares.

No caso brasileiro, o discurso sobre a presumível corrupção de um governo que, por não atender a todos os interesses da grande burguesia, se pretende substituir por outro mais confiável, tem dois grandes episódios que devem estar vivos na memória das pessoas que ainda não se alienaram da história do nosso País.

O primeiro foi em 1954, quando a política nacionalista de Getúlio Vargas não servia aos interesses norte-americanos e seus aliados locais e por isso se iniciou um grande movimento destinado a desestabilizar seu governo. Como os que tramavam contra o governo não podiam dizer a causa real da sua revolta, levantaram a bandeira da luta contra a corrupção. Na época, era o tal “mar de lama”, que inundava os porões do Palácio do Catete. A trama sinistra, comandada por Carlos Lacerda, com o apoio da grande mídia da época ( basicamente o jornal O Globo e os veículos dos Diários e Emissoras Associados de Assis Chateaubriand) só terminou por causa do suicídio de Getúlio.

Coincidentemente, entre os membros do governo acusado de corrupção por Lacerda, estava Tancredo Neves, avó de Aécio e que na época era Ministro da Justiça de Getúlio.

Outro exemplo mais recente foi em 64, quando a intenção do Presidente João Goulart de realizar algumas reformas de base que o País precisava, levou os militares, com o apoio dos grandes empresários, da alta hierarquia da Igreja Católica e praticamente de todos os veículos de comunicação do País a erguer novamente a bandeira da luta contra a subversão (como os militares apelidaram a luta pelas conquistas sociais da época) e a corrupção.

Naquela ocasião, o dano foi ainda maior: vinte anos de uma ditadura, esta sim corrupta porque não havia espaço para nenhuma denúncia pública e que promoveu um atraso no desenvolvimento do País, que ainda hoje buscamos recuperar.

Hoje, na falta do que dizer o candidato Aécio Neves, o neto do Tancredo, volta com o mesmo discurso. Esperamos que desta vez, mesmo com o apoio de toda a mídia e de boa parte do empresariado, seu discurso caia no vazio e no próximo domingo os brasileiros reelejam Dilma como Presidenta do Brasil.


*Marino Boeira é professor universitário

Postado no site Sul21 em 25/10/2014
















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