08 agosto 2015

O que há por trás da “nova postura” da Globo?



O que aconteceu com a Globo?

Por que o maior conglomerado midiático do Brasil utilizou os seus dois principais canais de comunicação para cravar posição política contra o impeachment de Dilma e a favor da governabilidade? 
Destacamos, a seguir, algumas hipóteses que ajudam a entender essa mudança de postura.


Antes mesmo do fechamento da edição do Jornal Nacional desta sexta-feira, noticiávamos em Pragmatismo Político que o telejornal global exibira uma edição pouco habitual.

Na pauta política, chamou atenção a publicação de uma longa sonora da presidente Dilma Rousseff rebatendo críticas e recebendo aplausos decorrentes de sua fala. 

Horas antes, em editorial, o jornal O Globo tinha ido ainda mais longe: destacou a importância dos esforços pela manutenção da governabilidade do atual governo e chamou o PSDB de ‘inconsequente’. 

Frases como “clássica marcha da insensatez” e questionamentos como “vale mais o destino de políticos proeminentes ou a estabilidade institucional do país?” foram usados no editorial com o objetivo de rechaçar a irresponsabilidade de figuras — Eduardo Cunha incluso — que pretendem ver o caos institucional e político no país, sem se preocupar com as consequências econômicas de tais manobras.

A repercussão da suposta nova inclinação da Globo foi enorme. No Facebook, a postagem de Pragmatismo Político sobre a questão, até a publicação deste texto, acumula mais de 20 mil curtidas, 12 mil compartilhamentos e 2500 comentários.

Desconfiados, lúcidos, surpresos, sensatos, agressivos, céticos e bem humorados. A heterogeneidade das observações postadas estimula a reflexão sobre o que pode estar por trás da “nova atitude” política das Organizações Globo, publicizadas através dos seus dois maiores canais de comunicação jornalísticos: o Jornal Nacional, na TV, e o editorial de O Globo, na mídia impressa. 

Confira, a seguir, algumas das reações publicadas pelos leitores de Pragmatismo Político que merecem destaque e ajudam a entender o posicionamento da Globo: 

1. “Resposta provável: Fiesp e Firjan. (Estas entidades se posicionaram pela governabilidade do País através de nota oficial

2. “Lá vem pedrada. A Globo é a maior Falsiane do Brasil.” (antes da tempestade, a calmaria) 

3. “Não vejo nada surpreendente. A Globo não muda de opinião: tem sempre a opinião do grande capital. E o grande capital mandou parar com a palhaçada. Uma crise política dessa monta vai levar a uma profunda crise econômica. Tirem a Dilma. Acham que vamos ficar quietos? O pau vai comer e isso não interessa ao grande capital.” (sem surpresas) 

4. “De tanta porrada o dia que falam a verdade a gente até estranha. Mas acho que decidiram esperar 2018. O povo não ia engolir essa história de impeachment” (medo do povo?) 

5. “Com a crise aprofundando teremos uma fuga de capitais do país, como consequência a quebradeira será generalizada, antes de tudo os Marinho são capitalistas.” (é o capitalismo, estúpido) 

6. “Bom, a partir desse momento começo a perceber que o mandato da Dilma está mesmo no fim. Ou seja, a Globo já está tirando o corpo fora e começando a vender a ideia de que ela não teve nada a ver com isso, ao contrário, até tentou ajudar a salvar” (não somos golpistas!) 

7. “Eles raciocinaram, em reunião com os demais parceiros da Casa Grande, e chegaram à conclusão de que a Presidência do Brasil, poderia cair, de bandeja, nas mãos do incomparável Eduardo Cunha, passando, assim, a situação de crise para desastre nacional, atingindo a todos os brasileiros” (Eduardo Cunha?) 

8. “Num tempo em que o golpe não era segredo, o presidente general de plantão João Figueiredo, dizia abertamente:quem tem cu tem medo. A grande maioria do povo hoje identifica o DNA do golpe compatível com o da Globo que tem diversas afiliadas pelo pais. O que ocorreria com os negócios globais numa ruptura democrática, se os exemplos foram dados pelos apoios à Dilma e ao PT? Atire a primeira pedra, que a vidraça da Globo a ignorância cega não blindou.. 

9. “Estou preocupado com o Merval e o Reinaldo Azevedo. Vão surtar!” 

10. Será que vão dar férias para o Merval Pereira e a Míriam Leitão ? 

11. “Pra mim, é “Cu na mão”, mesmo; vendo a Veja sendo processada, e diante da realidade em que não há elementos para tirar Dilma, os Marinho lembraram que ainda há três anos de mandato, verbas para propaganda (só é esse ano perderam 3 bilhões) e um processo de sonegação fiscal em curso.” 

12. Já cumpriram o “dever de casa”, já espalharam a desconfiança, o descrédito, a merda toda, como é de costume. Agora é hora de bancarem os bonzinhos, dizerem que não foram eles que fizeram o país ficar do jeito que está. A gente já viu esse filme tantas vezes. 

13. Mas ainda tenho minhas suspeitas. Não seria uma tática pra não passar por golpista? Só acredito depois de 16/08. Quero ver como irão se comportar durante os protestos, e se não vão ficar fazendo cobertura minuto a minuto, incentivando o comparecimento. 

14. O objetivo não é a Dilma, é o Lula… A Dilma sai no fim do governo o Lula vai ser o alvo… Apostam em crise econômica prolongada para que o PT deixe de ser uma alternativa viável no futuro. Não se iludam… 

15. Pois eu não fico nada surpreso. A Rede Globo está vendo sua audiência em queda livre, e tem conhecimento disso pelos comentários em redes sociais. Sabe que o povo não é tão manipulável como pensava. Normal que ela se comporte como folha de bananeira. Vai para onde o vento a leva. 

16. Isso aí só serve pra ver bem como funciona a manipulação de informação que a mídia faz. Até ontem as matérias veiculadas na TV e jornal impresso batiam no governo, com chamadas catastróficas e pessimistas, e aí, de um dia pro outro, a coisa muda. A Globo sabe quem vai prevalecer nessa história toda e resolveu ficar a favor do governo pra depois não acontecer igual com o apoio deles à ditadura, em que eles foram cobrados muito tempo depois. Reconheci muito do livro 1984 nisso, naquela parte em que o Winston muda as notícias de jornais, transformando um oponente de guerra em aliado e o antigo aliado em oponente de guerra. 

17. É o fim dos tempos. Houve a comemoração dos 50 anos da Globo no senado e, senadores do Psol e PT elogiaram a emissora, só Deus sabe o que estes conversaram no escurinho do cinema. 

18. A Globo quer o PSDB no poder… Isso só ocorrerá por meio de cassação… Se acontecer o impeachment, o PMDB assume com o Temer 

19. Pra mim, isso tem a ver com a reunião que houve entre Cunha e a Globo, ocorrida semana passada na sede do Rio. Algo não saiu conforme esperado e o resultado está aí. Agora a briga vai ficar boa… 

20. Tudo faz crer que a Rede Globo reavaliou sua responsabilidade enquanto formadora de opinião, e concluiu que sofrerá terríveis consequências por arrastar o país para um abismo sem precedentes. Segundo análise do deputado Jean Wyllys: “se Dilma cair, PMDB e PSDB não terão a solução mágica para a crise econômica que a maioria da população espera; esta reagirá violentamente e a grande mídia que agora insufla o antipetismo não conseguirá conter o chamado “estouro de boiada” 

21. Controlar as demandas da república é a pauta da Globo. O problema é que o caminho que está se traçando se encaminha pra implosão irreversível dessa república. Ninguém quer ser o rei dos escombros de um castelo. 

22. A globo tá vendo agora os monstrinhos que ela alimentou ficarem fora de controle. E ao lugar onde isso pode nos encaminhar é tenebroso! Mais vale um país inteiro (independente da situação dele) do que uma nação rachada em pedaços. Mais vale ir cozinhando aos poucos 4 anos de governo Dilma em que se planta uma insatisfação controlada e te dá mais chances de eleger quem vc pretende em 2018 do que a possibilidade de se ter 3 meses com o Cunha na cadeira e depois eleições das quais não se tem como fazer previsão NENHUMA! (sem falar em toda a instabilidade que faria o cenário internacional voltar atrás com o Brasil com muitos e muitos avanços e trancaria as possibilidades de qualquer um que assumisse). 

23. A direita já descobriu que mesmo dando o golpe desejado não terá nada a oferecer. A não ser, o que ela provocou, a crise. Se antes não existia crise, agora, já existe, e ela será brava. Ou seja, arrebatar o poder nas mãos de quem ganhou legitimante, e ainda provocando uma crise, com o objetivo arrebatador, não será viável para quem assumir. 

24. Será que vai ser preciso a globo se por contrária para que as pessoas entendam que esse não é o caminho!! A irresponsabilidade do congresso e do candidato derrotado Aécio é inaceitável, imaginar um caminho que não seja o do entendimento para tirar o país desta crise é um absurdo. Neste momento de instabilidade econômica mundial , tudo o que nao precisamos é de uma crise politica. 

25. A verdade é que a tática de “terra arrasada” já está chegando ao limite das perdas aceitáveis para se alcançar a conjuntura política desejada pelo empresariado. Há que se preservar a carcaça do doente, pois é dela que vivem os grupos midiáticos brasileiros. 

26. O terrorismo político alimentado pela grande mídia 24 horas por dia, 7 dias por semana desde a eleição de Dilma saiu completamente do controle destes poderosos que agora recuam, por não saberem onde isto pode dar, mas uma coisa é certa NINGUÉM GANHARIA COM ISTO, principalmente o grande capital. O recuo é estratégico mas eles não são aliados do povo brasileiro. 


Postado no Pragmatismo Político em 08/08/2015



O Jornal Nacional da noite desta sexta-feira causou estranheza: longa sonora favorável à Dilma, crítica à Eduardo Cunha e matéria sobre o aeroporto de Claudio, de Aécio Neves.


Em editorial surpreendente, Globo pede sustentação ao governo Dilma


Em editorial surpreendente, Globo acusa PSDB de inconsequente e pede esforço pela governabilidade de Dilma. 

Também causou espanto a edição do Jornal Nacional desta sexta-feira. O que teria levado a família Marinho a cravar posição contra o impeachment da presidente e chamar de irresponsáveis os que querem tirá-la do cargo para o qual foi eleita até 2018?

Em editorial publicado nesta sexta-feira (7), O Globo surpreendeu os observadores da política nacional e cravou posição contra o impeachment de Dilma Rousseff. O texto Manipulação do Congresso Ultrapassa Limites, que chama o PSDB de ‘inconsequente’, também faz críticas às ‘manipulações’ do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Também causou estranheza a edição do Jornal Nacional desta noite. O telejornal de maior audiência da televisão brasileira dedicou mais de 3 minutos veiculando sonoras de Dilma Rousseff rebatendo críticas durante um discurso e sendo aplaudida por populares. (Vídeo do JN aqui)

Além disso, o jornal mostrou um protesto que reuniu centenas de manifestantes contra o ataque a bomba que atingiu o Instituto Lula na última semana. (Vídeo do JN aqui)

Houve, ainda, matéria a respeito do aeroporto de Claudio, de Aécio Neves, e críticas ao suposto atropelo de Eduardo Cunha por colocar em votação a aprovação das contas dos ex-presidentes Itamar, FHC e Lula. (Vídeo do JN aqui


Leia abaixo trechos do editorial de O Globo:


“Há momentos nas crises que impõem a avaliação da importância do que está em jogo. Os fatos das últimas semanas e, em especial, de quarta-feira, com as evidências do desmoronamento da já fissurada base parlamentar do governo, indicam que se chegou a uma bifurcação: vale mais o destino de políticos proeminentes ou a estabilidade institucional do país?
Mesmo o mais ingênuo baixo-clero entende que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), age de forma assumida como oposição ao governo Dilma na tentativa de demonstrar força para escapar de ser denunciado ao Supremo, condenado e perder o mandato, por envolvimento nas traficâncias financeiras desvendadas pela Lava-Jato. Daí, trabalhar pela aprovação de “pautas-bomba”, destinadas a explodir o Orçamento e, em consequência, queira ou não, desestabilizar de vez a própria economia brasileira.
A Câmara retomou as votações na quarta, com mais uma aprovação irresponsável, da PEC 443, que vincula os salários da Advocacia-Geral da União, delegados civis e federais a 90,25% da remuneração dos ministros do Supremo. Espeta-se uma conta adicional de R$ 2,4 bilhões, por ano, nas costas do contribuinte. Reafirma-se a estratégia suicida de encurralar Dilma, por meio da explosão do Orçamento, e isso numa fase crítica de ajuste fiscal. É uma clássica marcha da insensatez. 
[…] 


Até há pouco, o presidente do Senado, o também peemedebista Renan Calheiros (AL), igualmente investigado na Lava-Jato, agia na mesma direção, sempre com o apoio jovial e inconsequente dos tucanos. Porém, na terça, antes de almoço com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, Renan declarou não ser governista, mas também não atuar como oposicionista, seguindo o presidente da Câmara, e descartou a aprovação desses projetos-bomba pelo Congresso. Um gesto de sensatez. 

Se a conjuntura já é muito ruim, a situação piora com o deputado Eduardo Cunha manipulando com habilidade o Legislativo na sua guerra particular contra Dilma e petistas. Equivale ao uso de arma nuclear em briga de rua, e com a conivência de todos os partidos, inclusive os da oposição. 

É preciso entender que a crise política, enquanto corrói a capacidade de governar do Planalto, turbina a crise econômica, por degradar as expectativas e paralisar o Executivo. Dessa forma, a nota de risco do Brasil irá mesmo para abaixo do “grau de investimento”, com todas as implicações previsíveis: redução de investimentos externos, diretos e para aplicações financeiras; portanto, maiores desvalorizações cambiais, cujo resultado será novo choque de inflação. Logo, a recessão tenderá a ser mais longa, bem como, em decorrência, o ciclo de desemprego e queda de renda. 

Tudo isso deveria aproximar os políticos responsáveis de todos os partidos para dar condições de governabilidade ao Planalto.”



Postado no Pragmatismo Político em 08/08/2015






O editorial da Globo: me engana que eu gosto

Miguel do Rosário



Depois de Merval Pereira confirmar furo do Cafezinho, de que Eduardo Cunha esteve na sede do Globo, na última segunda-feira, em reunião a portas fechadas com editores do jornal, tivemos uma semana difícil (para dizer o mínimo) para o Partido dos Trabalhadores.


O delator Milton Pascowitch, lobista de empreiteiras, fez inúmeras denúncias contra José Dirceu e enlameou o PT. Muitas das histórias relatadas por Pascowitch são velhas, mas a Globo aproveitou o clima de crise política produzido pela reprisão de Dirceu para requentar tudo.

É o mês de agosto em sua máxima plenitude!

E aí, quando governo e PT se encontravam nas cordas, com sites de mercado financeiro divulgando rumores sobre a renúncia de Dilma Rousseff, e o New York Times sugerindo entregar a coroa à Michel Temer, o Globo publica um editorial criticando Eduardo Cunha e conclamando políticos responsáveis de todos os partidos a dar “governabilidade ao Planalto”. 

Um editorial claramente contra o golpe. Exatamente na linha contrária ao que vem pregando diuturnamente Merval Pereira, por exemplo, que já fez críticas pesadas ao PSDB justamente por alguns de seus membros ainda se preocuparem com coisas singelas como estabilidade econômica e governabilidade. 

Mas a recepção ao artigo por setores do PT pode ser descrita pela frase: “me engana que eu gosto”. 

O poder da Globo, de produzir crise e amansá-las em seguida, nunca foi tão grande. 

Foi assim que a família Marinho conseguiu se tornar a mais rica do país. 

O que podemos pensar numa situação dessas? Não é difícil fazer algumas especulações: 

1) A Globo traçou uma estratégia para se blindar de acusações de golpismo. Ou seja, ela promove o golpismo até o limite, está por trás de todo o jogo de delações e notícias manipuladas e vazadas criteriosamente, mas não quer forçar um golpe antes do dia 16. Na verdade, não é muito diferente da estratégia de 64. Os golpistas sabiam que tinham que oferecer demonstrações de apoio popular, e por isso organizaram as marchas contra o governo que antecederam o golpe de 64. 

2) A Globo está satisfeita com a atual conjuntura. José Dirceu destruído, Lula debilitado, movimentos fascistas em ascensão. A emissora nunca teve tanto poder político. Para ela, melhor continuar assim. Um processo de impeachment, uma desestabilização além da conta, deflagraria forças incontroláveis. A pressão dos grandes grupos industriais, que seriam os primeiros a serem varridos numa conjuntura de caos econômico e político, pode ter convencido a Globo a não ir adiante em sua pregação golpista. 

Charge na capa do jornal O Globo, desta semana. Alguma dúvida sobre as intenções dos Marinho? 


3) A Globo está convencida que agora tem elementos para destruir Lula politicamente, e assim eliminar qualquer risco de manutenção do PT no poder. Além disso, a hegemonia conservadora no Ministério Público, na Polícia Federal e no Judiciário lhe parece bastante consolidada, o que também dá segurança à Globo para manter a estratégia do cerco permanente. 

4) A adesão de Renato Duque e mais alguns outros réus, possivelmente até Marcelo Odebrecht, à delação premiada, mais a descarada confissão do próprio irmão de Dirceu, de que recebeu mesada de R$ 30 mil do lobista Milton Pascowitch, dão munição à Globo para criar uma atmosfera propícia ao impeachment sem que seja necessário o seu engajamento editorial na empreitada. O impeachment poderá ser feito à “contragosto” da Globo, e assim ela se blinda de acusações desagradáveis de golpista. 

5) A Lava Jato conseguiu ainda uma outra proeza, que beneficia muito a Globo. O lobista e delator Milton Pascowitch disse que um dos acertos com o PT era repassar R$ 120 mil à Leonardo Attuch, da editora 247, responsável pelo site Brasil 247. Attuch admite ter recebido o dinheiro, explica que foram serviços prestados. Em se tratando de imagem, porém, o site saiu arranhado, e a Globo está repetindo a informação com bastante ênfase. De fato, o site Brasil 247 tem sido importante para a defesa do governo, de maneira que o seu desprestígio debilita ainda mais o governo, o PT e confere ainda mais poder à Globo. 

6) A última hipótese é que a Globo realmente tenha sido convencida, pelo grande capital, e pelos governadores, que um golpe não seria vantajoso. O país perderia a estabilidade econômica, política e social por muito tempo. Um golpe via TCU ou TSE criaria uma jurisprudência perigosa. Nenhum governador ou prefeito teria segurança de terminar seu mandato, porque praticam “pedaladas fiscais” infinitamente piores do que as de Dilma, e recebem doações de empresários muito mais suspeitos e corruptos. 

Neste sombrio mês de agosto, a meu ver, a postura menos oportuna, menos prudente, é ficar “otimista”. 

O recuo da Globo pode ser o recuo das águas do mar nos momentos que antecedem um tsunami. 

Dilma, enquanto isso, participa da inauguração de 700 casas em Roraima. 

Aliás, as falas da Dilma deixam entrever como pensa a presidenta, e explicam o seu comportamento. 

Depois de defender o valor do voto, numa referência explícita às tratativas da oposição de chegar ao poder sem ganhar eleições, ela acrescentou: “Ao longo da vida eu passei muitos momentos difíceis. Sou uma pessoa que aguenta pressão. Sou uma pessoa que aguenta ameaça. Aliás, eu sobrevivi a grandes ameaças à minha própria vida” 

Bingo!

Dilma transformou o Planalto numa espécie de aparelho, onde fica escondida, resistindo à “pressão”, aguentando “ameaça”. No meio da crise, sua cabeça voltou a pensar como uma guerrilheira dos anos 60, e não como uma figura pública, representante política máxima de todos os brasileiros, que precisa enfrentar a crise fazendo política, através de uma grande ofensiva na comunicação. 

Ou pior: Dilma age como se estivesse presa, sob tortura, sob “ameaça”, e que a postura mais corajosa possível seja manter o silêncio. Não é, Dilma. No momento, você tem a caneta sagrada do poder da república em suas mãos. A atitude mais heroica é usá-la! 

Não há outra solução. Dilma precisa juntar seus ministros mais fieis, o núcleo duro de sua bancada parlamentar, unir os movimentos sociais organizados, e construir uma agenda política em comum. E anunciar essa agenda antes do dia 16, data marcada para o início do golpe. 

Dilma precisa lutar contra o dia 16, quando novamente os meios de comunicação tentarão jogar milhões nas ruas a pedir não apenas sua cabeça, mas a cabeça de todos os progressistas e de toda a esquerda, visto que são marchas eminentemente fascistas. 

Para isso, precisa construir sua agenda, como já disse, e ajudar a fortalecer o dia 20 de agosto, quando os movimentos sociais sairão em sua defesa. 


Postado no Tijolaço em 08/08/2015 




Crer ou não crer em mudança ... 


‘Depois de todo esse terror diário, a quem esses idiotas pensam que enganam?' 

15 frases selecionadas sobre a ‘nova atitude’ da Globo 

Selecionamos 15 comentários em que nossos leitores no Facebook debatem o tão falado editorial do Globo que parece romper com o golpismo. 

1) Fazem um editorial desses mas no dia mesmo irão fazer cobertura em tempo integral da manifestação pró impeachment.

2) Pode ter certeza que estão vendo vantagens e desvantagens para além do mero olhar comum. Estas estruturas vem sempre muito além da maioria de nós. Sabem criar opiniões, assim como as destroem e constroem outras. Tudo para a manutenção do seu poder e status.

3) A mídia golpista está tomando consciência? Depois de 8 meses de bombardeio diários, com cobertura exclusiva das manifestações golpistas, o que esperam os Marinhos? Tem um psicopata na presidência da Câmara pronto para explodir a democracia para encobrir os seu atos de corrupção e a Globo só fez apoiar esse quadro.

4) Ahn??????? Depois de todo esse terror diário, a quem esses idiotas pensam que enganam?

5) Uma vez golpista, sempre golpista. Criaram um monstro, o tal do Eduardo Cunha, mas agora que está prestes a ser pego, resolveram abandonar. No mais, uma nova eleição, o eterno terceiro turno, tapetão, para assumir o risco de colocar lá um playboy irresponsável, como Aécio: é melhor trabalhar pela estabilidade econômica e, sobretudo, política. E aguardar por 2018, até lá, Dilma, que foi eleita democraticamente, deve terminar o mandato. Ou será que os Marinhos querem entrar para a história como protagonistas de mais um golpe político?

6) Depois de esticar a corda na iminência de partir eles pedem pra sair do clima golpista? O que uma empresa no prejuízo não faz em atendimento aos seus clientes (anunciantes) que já falaram que essa maluquice de impeachment vai melar o filme dos seus lucros, que continuaram mesmo que essa retração da economia apelidada cretinamente de “crise”. Manda quem pode, obedece quem tem juízo.

7) E para completar, hoje o JN deu um espaço para a Dilma nunca antes visto e ainda por cima cobriram o abraço que as pessoas foram levar ao Lula em desagravo. Quando a esmola é demais o santo desconfia.

8) Tenho uma teoria. Trata-se de uma vacina para a história. Caso o golpe aconteça nos próximos meses, daqui a 40 ou 50 anos não precisará tentar reescrever a história, como fez com a Revolução (sic) de 64, fazendo um editorial dizendo que foi um erro ter dado “apoio editorial” ao golpe. Isto é, ela acredita que o golpe ocorrerá via congresso. Ela acha que já contribuiu muito para o enfraquecimento do governo. Agora, passa a bola para o Cunha terminar o trabalho (sujo). Pode ser que ela continue a fomentar o golpe via apoio aos próximos protestos da turma da CBF. Mas aí, na cabeça da Globo, ela está fazendo apenas jornalismo. Cobertura jornalística. Plim plim.

9) Fiquei espantado também com os comentários do programa da Maria Beltrão, Estúdio I, hoje à tarde. O comentarista, ao contrário do que costuma acontecer, baixou o cacete na oposição e deu força ao governo. A jornalista de economia, pau-mandado, ficou calada meio sem jeito. Alguém me explica o que está acontecendo? Cheguei a comentar: Xi! Esse não é mais convidado pro programa.

10) Esperemos a postura da Globo no dia 16, daí veremos a verdade desse editorial.

11) Essa ‘imparcialidade’ dura até 16 de agosto?

12) Estou assistindo o JN e impressionada com a mudança do tom… O que vem depois???

13) Isso tá estranho… Tem algo muito, muito errado nessa história.

14) Há uma agenda oculta por trás. Desvincular-se do golpismo patrocinado por ela própria, a fim de angariar simpatia de quem não aceita sua falácia? Posar como neutra em futuros desdobramentos? Sair de perto da Veja, dado sua credibilidade pulverizada poder contaminar seus próximos? A mim não enganam.

15) M.R. – tá bom! os marinhos?…vou fingir que acredito…


Postado no Diário do Centro do Mundo em 08/08/2015





O que levou a Globo a mudar de atitude? 

Paulo Nogueira 


A Globo não é exatamente original quando procura argumentos para suas atitudes.


O que a move é sempre um desses três fatores: dinheiro, dinheiro e dinheiro.

É dentro dessa premissa imutável que se deve buscar a grande questão que emergiu depois do editorial em que a empresa rompe com o golpe. 

Em 1964, a adesão aos golpistas foi motivada por dinheiro. E isso veio em proporções monumentais. 

Uma editora medíocre, com um jornal de segunda linha, virou o que virou com as mamatas dadas pelos militares em troca do apoio à ditadura. 

Agora, a Globo perderia muito dinheiro – e provavelmente o futuro – se alinhando com os golpistas. 

Não dando certo o golpe – e não daria – o risco era ver secar a verba multimilionária da propaganda federal. 

Sem esse dinheiro, a Globo mingua. A internet já vai transformando-a em dinossauro. Sem o meio bilhão anual da propaganda das estatais, o seu Anualão, a Globo em pouco tempo se transforma numa Abril, uma morta-viva. 

Para além disso, reforçando o fator monetário da virada, os Marinhos bobos não são.

Eles estão vendo o que aconteceu com a Abril quando decidiu partir para o vale tudo para derrubar o PT. 

A empresa respeitada e admirada que foi a Abril se tornou um símbolo nacional de abominação. 

Não haverá volta para a Veja e para a Abril. A credibilidade e o respeito, quando perdidos, não se recuperam. É como virgindade. 

E a Globo estava prestes a se transformar numa nova segunda Abril na guerra contra o PT. 

Estava sendo perdido o controle. 

O exemplo mais visível disso é a revista da casa, a Época. Com mudanças na direção, e a chegada de uma cria da Abril, Diego Escosteguy, a revista ficou tão infame quanto a Veja. 

Semanalmente, as duas revistas estavam disputando quem cometia o maior número de canalhices e disparates editoriais. 

Se a Veja anunciou a delação do homem da OAS como o fim do governo e de Lula, a Época deu na capa que Marcelo Odebrecht decidira delatar e a República, nada menos que isso, cairia. 

Os fatos estão aí. 

O gesto da Globo se explica e se encerra no dinheiro. 

Muito se especulará sobre os detalhes que se traduzirão nisso – dinheiro. 

Mas uma coisa é batata.

Os aloprados da Globo entenderam perfeitamente o editorial. 

Assim como elevaram brutalmente o tom nos últimos meses, agora diminuirão na mesma proporção. 

Roberto Marinho sabidamente gostava de papistas, gente que obedece sem restrições ao Papa. 

Evandro de Andrade, chefe de jornalismo do Globo e depois da TV Globo, convenceu RM a dar-lhe o cargo com uma carta em que garantia ser papista. 

Os irmãos Marinhos, como o pai, também gostam de papistas. 

Dada a ordem contida no editorial, esperarão de seus aloprados, de Kamel a Merval, uma resposta imediata. 

E eles sabem disso. 


Postado no Diário do Centro do Mundo em 08/08/2015 



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