09 agosto 2016

Uma Poesia e o Golpe







Roteiro



Parar. Parar não paro.

Esquecer. Esquecer não esqueço. 

Se caráter custa caro 

pago o preço. 


Pago embora seja raro.

Mas homem não tem avesso 

e o peso da pedra eu comparo 

à força do arremesso. 


Um rio, só se for claro.

Correr, sim, mas sem tropeço. 

Mas se tropeçar não paro 

- não paro nem mereço. 


E que ninguém me dê amparo

nem me pergunte se padeço.

Não sou nem serei avaro 

- se caráter custa caro 

pago o preço. 



Autor : Sidonio Muralha (Lisboa, 28 de julho de 1920 - Curitiba, 8 de dezembro de 1982), escritor português, viveu na África e depois no Brasil em exílio voluntário fugindo da Ditadura de Salazar. 



Para entendermos o contexto da poesia Roteiro é necessário um breve relato da História de Portugal.

Antonio Salazar assumiu o poder, em 1932, como chefe de governo (Primeiro Ministro), implantando a ditadura salazarista. Seu governo durou até o ano de 1968.

Impôs uma nova carta constitucional com traços explicitamente inspirados nos ditames do fascismo italiano. O novo documento estabeleceu a censura dos meios de comunicação, a proibição dos movimentos grevistas e a criação de um sistema político unipartidário. A partir de então, se instalava uma das mais duradouras ditaduras criadas na Europa.

Somente com a morte de Salazar, acontecida em 1970, um movimento revolucionário de caráter liberal tomou conta do cenário português. Em 1974, o movimento de transformação política atingiu seu auge com a deflagração da chamada Revolução dos Cravos. Somente após esse episódio, Portugal conseguiu dar fim a um dos mais trágicos momentos de sua história.

Por Rainer Sousa
Mestre em História



Nota

A poesia acima é a preferida do Senador Roberto Requião (PMDB-PR), que é contra o Golpe de Estado (travestido de Impeachment) e a favor da Democracia e do respeito aos votos que elegeram a Presidente Dilma Rousseff na eleição de 2014.

Agora são 23 horas e 40 minutos deste dia 9 de Agosto. A sessão no Senado continua, desde às 9 horas da manhã.

A maioria dos Senadores são Golpistas e com seus "discursos" estão tentando convencer a si próprios que não estão promovendo um Golpe e que a Presidenta cometeu crimes, portanto deve ser retirada do cargo para o qual foi eleita por mais de 54 milhões de brasileiros.

O Senador Roberto Requião, em seu lúcido e claro discurso, leu a poesia Roteiro. 

Creio que ele quis mostrar como age um homem de caráter em contraposição àqueles que não têm caráter algum, e que estão no Congresso Brasileiro em benefício próprio e a serviço do Capital, ignorando, completamente, o Povo Brasileiro.







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