29 outubro 2012

Desordem no Tribunal




Advogado: Qual é a data do seu aniversário? 
Testemunha: 15 de julho. 
Advogado: Que ano? 
Testemunha: Todo ano.

Advogado: Essa doença, a miastenia gravis, afeta sua memória? 
Testemunha: Sim. 
Advogado: E de que modo ela afeta sua memória? 
Testemunha: Eu esqueço das coisas. 
Advogado: Você esquece... Pode nos dar um exemplo de algo que você tenha esquecido?

Advogado: Que idade tem seu filho? 
Testemunha: 38 ou 35, não me lembro. 
Advogado: Há quanto tempo ele mora com você? 
Testemunha: Há 45 anos. 

Advogado: Qual foi a primeira coisa que seu marido disse quando acordou aquela manhã?
Testemunha:Ele disse, 'Onde estou, Bete?' 
Advogado: E por que você se aborreceu? 
Testemunha: Meu nome é Célia! 

Advogado: Seu filho mais novo, o de 20 anos... 
Testemunha: Sim. 
Advogado: Que idade ele tem? 

Advogado: Sobre esta foto sua... o senhor estava presente quando ela foi tirada?

Advogado: Então, a data de concepção do seu bebê foi 08 de agosto? 
Testemunha: Sim, foi. 
Advogado: E o que você estava fazendo nesse dia?

Advogado: Ela tinha 3 filhos, certo? 
Testemunha: Certo. 
Advogado: Quantos meninos? 
Testemunha: Nenhum 
Advogado: E quantas eram meninas?

Advogado: Sr. Marcos, por que acabou seu primeiro casamento? 
Testemunha: Por morte do cônjuge...
Advogado: E por morte de que cônjuge ele acabou?

Advogado: Poderia descrever o suspeito? 
Testemunha: Ele tinha estatura mediana e usava barba. 
Advogado: E era um homem ou uma mulher?

Advogado: Doutor, quantas autópsias o senhor já realizou em pessoas mortas?
Testemunha: Todas as autópsias que fiz foram em pessoas mortas...

Advogado: Aqui na corte, para cada pergunta que eu lhe fizer, sua resposta deve ser oral, Ok? Que escola você frequenta? 
Testemunha: Oral. 

Advogado: Doutor, o senhor se lembra da hora em que começou a examinar o corpo da vítima? 
Testemunha: Sim, a autópsia começou às 20:30h. 
Advogado: E o sr. Décio já estava morto a essa hora? 
Testemunha: Não... Ele estava sentado na maca, se perguntando porque eu estava fazendo aquela autópsia nele. 

Advogado: Doutor, antes de fazer a autópsia, o senhor checou o pulso da vítima?
Testemunha: Não. 
Advogado: O senhor checou a pressão arterial? 
Testemunha: Não. 
Advogado: O senhor checou a respiração? 
Testemunha: Não. 
Advogado: Então, é possível que a vítima estivesse viva quando a autópsia começou?
Testemunha: Não. 
Advogado: Como o senhor pode ter essa certeza? 
Testemunha: Porque o cérebro do paciente estava num jarro sobre a mesa. 
Advogado: Mas ele poderia estar vivo mesmo assim? 
Testemunha: Sim, é possível que ele estivesse vivo e cursando Direito em algum lugar!


Postado no blog Terra Brasilis em 29/10/2012



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