15 outubro 2012

Deus no céu e as Urnas na terra




Se Deus existe, então é Deus no Céu e as Urnas na Terra. A briga acontece daí pra baixo. O STF não pode tomar o lugar das Urnas. A não ser que isso se torne constitucional. Os golpistas de 64 precisaram editar a Constituição através dos tais Atos Institucionais para dar ao regime ares de legalidade.

Há um golpe em curso (sempre haverá algum em curso, enquanto a mídia permanecer acima da lei, trabalhando a favor de um grupo político).

O objetivo da primeira etapa era o de enfraquecer o PT nas eleições com a “operação mensalão”. Aliás, nem era bem um objetivo. Era mais uma expectativa. Mas as urnas rejeitaram a relação entre uma coisa e outra e quem apostou suas fichas no julgamento, perdeu.

Por outro lado, o vírus golpista é mutante. Dança conforme a música. Perde-se São Paulo, mas salvam-se os dedos. Pula essa e segue para a etapa seguinte: continuar batendo na tecla mensalão até criar calos nos dedos.

Não importa, o que vier é lucro: criminalizar Lula, desmoralizar o PT e inviabilizar a reeleição de Dilma em 2014, senão destituí-la antes ainda de completar seu primeiro mandato. Este é o horizonte dos golpistas.

Pelo o que andam exercitando por aí, América Latina à fora, pode-se deduzir que será através do chamado “golpe branco” – golpe de estado moderno, de última geração, que dispensa o uso de armas de fogo e é baseado na criação de factóides infundados, difamação e assassinato de reputações através de um bombardeio noticioso sincronizado, que paralisa o inimigo e neutraliza o senso crítico do povo.

A nova arma dos golpistas mostrou a cara ao vivo e a cores na TV Mensalão, ops, TV Justiça. 

Com as condenações sumárias dos réus e a falta de lógica inacreditável dos argumentos condenatórios, ficamos no limbo, sem saber qual será nosso destino imediato. 

Até onde os excelentíssimos pretendem ir depois de terem rasgado a Carta Magna e estabelecido precedentes tão devastadores para o futuro do Judiciário e da democracia?

O Brasil não é um Paraguai, Honduras ou uma Venezuela (com todo o respeito aos seus povos). Somos um país continental, emergente em meio a uma crise financeira mundial devastadora; 6a economia, coisa e tal.

Dilma e Lula tem conquistado prestígio e admiração no plano internacional onde o Brasil definitivamente deixou de ser um vira-latas. 

Enfim, tudo que o PiG quer desconstruir, apagar da memória do povo, é justamente o que nos consagra na opinião pública mundial.

Em 2014 vamos realizar a Copa do Mundo em clima de nova guerra eleitoral. Em seguida teremos as Olimpíadas. Tudo isso nos colocará no centro das atenções mundiais por alguns anos. 

E um cenário assim, só é possível num ambiente democrático, em pleno estado de direito.

Vamos supor, só para efeito de análise, que os golpistas alcancem seu objetivo.

Vão fazer o que, depois de destituir Dilma da presidência? Como vão impedir Lula de ser Lula? E o PT? Vão extinguir o PT por decreto? 

Porque como dois e dois são quatro, e “1984” já passou, o PT reconquistaria tudo e muito mais na primeira chance que os mais de 100 milhões de eleitores brasileiros tiverem de clicar nos números da Urna e na tecla “confirma”.

Voltem os olhos a um minuto atrás, historicamente falando, e vejam o que houve na Venezuela em 2002,Ponte Llaguno

O povo sul-americano não é mais bobo. Kirshner foi reeleita, Chávez foi reeleito, Evo Morales reeleito, Lula reeleito e elegeu Dilma… Isso não é hipnose coletiva, que a esquerda usa para se “perpetuar no poder”.

É reconhecimento da maioria da população que houve melhora na qualidade de vida. É o sentimento de que estamos no caminho certo. Os índices não param de mostrar. Simples assim. 

Por que é tão difícil de aceitar? Com o povo é assim: não tem essa de cara feia ou cara bonita. É toma lá, dá cá. Melhorou minha vida? Ganhou meu voto. Compra de voto legítima!

Não existe democracia sem o PT. E a regra é clara: liberdade política, ideológica e liberdade de expressão para todos, ou nada.

Lá se vão 40 anos de perseguição a Lula e ao PT. Desde a greve dos Metalúrgicos do ABC de 1980. 

De lá para cá, Lula não parou de apanhar por um dia sequer. Por isso calejou. Conhece todas as artimanhas de seus inimigos e as dificuldades de participar de eleições com toda a imprensa jogando casca de banana no caminho. Curso intensivo de perseguido. 

Lula é o sparing da democracia brasileira. Realmente acham que podem desconstruí-lo depois de velho e curtido?


Postado no blog Terra Brasilis em 15/10/2012

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