02 maio 2013

Intenções transparentes


Intenções transparentes

"Quem trama desventuras para os outros estende armadilhas a si mesmo". (Esopo)

Flávio Bastos 

Como a intenção é um pensamento secreto e reservado, baseado na vontade e no desejo de praticar um ato, tal mecânica torna-se consciente à medida que passa pelo livre-arbítrio da pessoa.

Desta forma, temos as boas e as más intenções que convivem com o homem desde épocas remotas. Infelizmente, para a humanidade, as más intenções predominam em forma de atos, o que compromete a evolução espiritual da espécie no planeta Terra.

E o motivo da sensação de infelicidade que experimentamos, passa pelo ego e seus derivados que durante milênios tornaram mais densa a energia de nosso mundo.

Derivados do ego, como o egoísmo e o egocentrismo, que quando associados a atos perversos, alimentados por interesses escusos, geram a energia do mal que provoca a desarmonia caracterizada como desequilíbrio psicofísico, que são as doenças da mente e do corpo humano.

Neste sentido, são incontáveis os casos que, diariamente, se apresentam no cenário mundial, onde o mecanismo ego+intenção+ato acaba por provocar desarmonia e infelicidade entre os homens. 

Talvez a guerra, que esconde na barbárie a síntese perversa dos interesses pessoais e grupais, explique a necessidade que tem o homem de afirmar o seu ego acima de todas as coisas.

As boas intenções seguidas de atos, embora minoritárias no contexto mundial, reafirmam valores conhecidos do homem, como a ética nas relações humanas, o respeito e a consideração para com o outrem, que deixam de prevalecer à medida que o indivíduo entra no denso campo energético das segundas e terceiras intenções, o "vale-tudo" que desconsidera valores humanos como base do relacionamento interpessoal. Certa vez, Sigmund Freud registrou em seus escritos:

"O conhecimento da verdade é a intenção mais elevada da ciência e considera-se mais uma fatalidade do que intenção se, na procura da luz, provocar algum perigo ou ameaça. Não é que o homem seja mais capaz de cometer maldades do que os antigos ou primitivos. A diferença reside apenas no fato de hoje ele possuir em suas mãos meios incomparavelmente mais poderosos para afirmar a sua maldade. Embora a sua consciência se tenha ampliado e diferenciado, sua qualidade moral ficou para trás, não acompanhando o passo. Esse é o grande problema com que nos defrontamos. Somente a razão não chega mais a ser suficiente".

O raciocínio de Freud é uma pista, no sentido de que para compreender os mecanismos que formam a benevolência, o homem necessita aprofundar-se nos mecanismos que estruturam a maledicência. Ou seja, extrair de seu histórico comprometido com a perversidade, as raízes daquilo que tem prejudicado a humanidade ao longo dos milênios, pois, é chegando na raiz da dor e do sofrimento que o homem atingirá um grau de discernimento - e de lucidez - capaz de transformar a sua própria realidade.

No entanto, para chegar a este patamar, o homem precisa alterar o seu padrão comportamental preso a intenções secundárias e terciárias ligadas ao lado obscuro ou imanifesto da grande maioria de indivíduos que retornam à dimensão da matéria.

Nesta lógica, transparecer intenções como se de repente as sombras dessem lugar à claridade, exigirá do homem um seguro e firme passo dado na direção da benevolência como prática inserida em sua rotina vital. Desafio que irá opor-se a uma longa trajetória do ego como principal ator no palco da vida.

Portanto, substituir o ego e suas máscaras pelo eu transparente nas intenções transformadas em atos, é um aprendizado que requer um longo processo de depuração da energia que envolve a humanidade terrestre.

Caminho igualmente longo no que se refere à alteração de um modelo que revela a existência de vícios como padrão de conduta familiar e social.

Vícios atrelados a comportamentos e traços de caráter que acompanham o indivíduo vida após vida, sem que ele desperte da letargia de seu processo obsessivo associado ao que o homem domina enquanto conhecimento: a perversidade desenvolvida durante milênios de prática.

Na contra-mão da história, praticar a transparência de intenções em todos os âmbitos de atuação do indivíduo na sociedade, requer gradual despojamento de interesses que não sejam os do bem comum. 

Tarefa árdua, mas ao mesmo tempo hercúlea, que poderá levar a humanidade a compreender o profundo significado da palavra "felicidade".

A claridade que surge no alvorecer do terceiro milênio traz consigo a energia necessária para iluminar o caminho de quem se propõe a dar passos seguros e firmes na direção da verdade de si mesmo.

A Nova Era, também chamada de Era de Cristal ou Era da Sensibilidade, apresenta-se através de um convite aos indivíduos que desejam transformar um "estado de coisas" que exibe como pano de fundo o velho mecanismo ego+intenção+ato, em um novo paradigma que traz como transparência a própria intenção associada ao ato, e onde o ego cede o seu lugar ao eu verdadeiro que entra no palco da vida iluminado pela Fonte de Amor e de Sabedoria Universal.

Postado no site Somos Todos Um


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